Dr. Cláudio Amichetti Júnior¹,²
Gabriel Amichetti³
¹ Médico-veterinário Integrativo – CRMV-SP 75.404 VT; MAPA 00129461/2025; CREA 060149829-SP (Engenheiro Agrônomo). Especialista em Nutrição Felina e Canina, Medicina Canabinóide e Alimentação Natural, Petclube. Mais de 40 anos de experiência prática dedicados aos felinos e cães tipo bull, com foco em transição dietética e desenvolvimento de protocolos de bem-estar.
² Afiliação Institucional Petclube, São Paulo, Brasil.
³ Médico-veterinário – CRMV-SP 45.592 VT. Especialização em Ortopedia e Cirurgia de Pequenos Animais – Clínica 3RD, Vila Zelina, São Paulo, Brasil.
Autor correspondente: Cláudio Amichetti Júnior. E-mail: dr.claudio.amichetti@gmail.com
Conflito de interesses: Os autores declaram não haver conflito de interesses.
Periódico: Petclube – Ciência, Genética e Bem-Estar Animal.
A osteoartrite (OA) e as dermatopatias inflamatórias pruriginosas estão entre as principais condições crônicas que comprometem o bem-estar de cães e gatos, envolvendo dor persistente, inflamação, alterações comportamentais e prejuízo funcional. Embora distintas em etiologia e alvo tecidual, ambas compartilham componentes do eixo neuroimune, incluindo mediadores inflamatórios, participação de células efetoras (como mastócitos) e sensibilização periférica e, em subgrupos, central. A palmitoiletanolamida (PEA) é uma N-aciletanolamida endógena com propriedades anti-inflamatórias e antinociceptivas, investigada como terapia adjuvante, com mecanismos propostos envolvendo modulação mastocitária (conceito ALIA), ativação do receptor nuclear PPAR-α e efeitos indiretos sobre o sistema endocanabinoide (efeito “entourage”) (DI MARZO; SKAPER, 2013). O objetivo deste artigo foi sintetizar de forma sistematizada (2000–2026) a literatura sobre PEA em Medicina Veterinária, com foco em cães e gatos, especificamente em OA e dermatologia inflamatória/pruriginosa, integrando evidência experimental e clínica, limitações metodológicas e implicações para a prática. Foi realizada busca estruturada nas bases PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science, CAB Abstracts e Google Scholar, com termos relacionados a PEA, osteoartrite, dor, prurido, dermatite, cães e gatos. A síntese indica plausibilidade biológica e sinal de benefício como adjuvante no controle de dor crônica e prurido, com perfil de tolerabilidade geralmente favorável. Contudo, a heterogeneidade de formulações, regimes de dose/duração e desfechos, além da escassez de ensaios clínicos randomizados e controlados em cães e gatos, limita conclusões definitivas. Conclui-se que a PEA é promissora como terapia adjuvante em cenários selecionados, mas sua incorporação ampla requer padronização farmacotécnica, estudos farmacocinéticos por espécie e ensaios clínicos robustos com desfechos validados.
Palavras-chave: analgesia multimodal; osteoartrite; prurido; dermatologia veterinária; mastócitos; PPAR-α; cães; gatos.
Osteoarthritis (OA) and inflammatory pruritic dermatopathies are among the most relevant chronic conditions impairing welfare in dogs and cats, involving persistent pain, inflammation, behavioral changes and functional decline. Although distinct in etiology and primary target tissues, both share neuroimmune components, including inflammatory mediators, effector cells (such as mast cells), and peripheral and, in some subgroups, central sensitization. Palmitoylethanolamide (PEA) is an endogenous N-acylethanolamine with anti-inflammatory and antinociceptive properties, investigated as an adjunct therapy through proposed mechanisms including mast cell modulation (ALIA concept), activation of the nuclear receptor PPAR-α, and indirect effects on the endocannabinoid system (the “entourage effect”) (DI MARZO; SKAPER, 2013). This article aimed to provide a systematized synthesis (2000–2026) of the literature on PEA in Veterinary Medicine focusing on dogs and cats, specifically OA and inflammatory/pruritic dermatology, integrating experimental and clinical evidence, methodological limitations and practical implications. A structured search was performed in PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science, CAB Abstracts and Google Scholar using terms related to PEA, osteoarthritis, pain, pruritus, dermatitis, dogs and cats. The synthesis suggests biological plausibility and a signal of adjunctive benefit for chronic pain and pruritus with an overall favorable tolerability profile. However, heterogeneity in formulations, dosing regimens and outcomes, along with a scarcity of randomized controlled trials in dogs and cats, limits definitive conclusions. PEA appears promising as an adjunct in selected scenarios, but broader adoption requires pharmacotechnical standardization, species-specific pharmacokinetic studies and robust clinical trials with validated outcomes.
Keywords: multimodal analgesia; osteoarthritis; pruritus; veterinary dermatology; mast cells; PPAR-α; dogs; cats.
A dor persistente e o prurido crônico são causas importantes de sofrimento em cães e gatos e representam grande demanda assistencial na clínica de pequenos animais. A osteoartrite (OA) é uma das principais etiologias de dor musculoesquelética crônica, associada a limitação funcional, redução de atividade e alterações comportamentais. Em cães, sinais como rigidez e claudicação são frequentes; em gatos, a expressão clínica pode ser discreta, manifestando-se por menor disposição para saltar, redução de interação, piora de higiene e alterações de temperamento. Já as dermatopatias inflamatórias pruriginosas (incluindo síndromes alérgicas e inflamação cutânea crônica) cursam com prurido persistente, autotraumatismo e infecções secundárias, com grande impacto sobre qualidade de vida do animal e do tutor.
Embora OA e dermatopatias sejam doenças distintas, há convergência fisiopatológica no eixo inflamação–neuroimunidade–sensibilização. Na OA, mediadores inflamatórios e alterações do microambiente articular contribuem para dor persistente, com participação de citocinas, eicosanoides e, em subgrupos, sensibilização central. Em dermatologia, a inflamação cutânea crônica envolve células efetoras (como mastócitos), mediadores pruritogênicos e interação entre sistema imune e fibras sensoriais periféricas, favorecendo manutenção e exacerbações do prurido.
Nesse cenário, a analgesia e o controle de sinais na clínica moderna tendem a privilegiar protocolos multimodais, combinando intervenções não farmacológicas e farmacológicas, com racional de atingir alvos fisiopatológicos complementares. O sistema endocanabinoide e vias relacionadas ganharam destaque por sua participação na modulação de dor e inflamação, e a palmitoiletanolamida (PEA), uma N-aciletanolamida endógena, tem sido investigada como terapia adjuvante com propriedades imunomoduladoras e antinociceptivas (DI MARZO; SKAPER, 2013).
Assim, este artigo objetiva sintetizar de forma sistematizada a literatura sobre PEA em cães e gatos com foco em OA e dermatopatias inflamatórias pruriginosas, discutindo bases mecanísticas, evidência clínica, limitações e implicações práticas.
Foi conduzida uma revisão sistematizada, com estratégia de busca estruturada, critérios explícitos de elegibilidade e síntese organizada por condição clínica (OA e dermatologia). Optou-se por revisão sistematizada devido à heterogeneidade esperada de desenhos, formulações e desfechos, o que inviabiliza meta-análise sem padronização adicional.
A busca foi planejada para cobrir o período de 2000 a 2026 nas bases: PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science, CAB Abstracts e Google Scholar.
A estratégia foi adaptada a cada base, mantendo núcleos semânticos equivalentes. Exemplo de string-base:
Incluídos: estudos experimentais e clínicos (ensaios, observacionais, séries clínicas com desfechos definidos) que avaliaram PEA em cães e/ou gatos com desfechos relacionados a dor/OA e/ou prurido/dermatologia inflamatória; artigos revisados por pares; idiomas português, inglês e espanhol.
Excluídos: estudos exclusivamente em humanos sem dados relevantes para veterinária; relatos sem descrição mínima de intervenção (formulação/dose/duração); materiais opinativos sem dados.
A seleção foi estruturada em triagem de título/resumo e avaliação de texto completo. Foram extraídos: espécie, condição clínica, desenho, tamanho amostral, formulação, dose, duração, comparador, desfechos e eventos adversos. Como não foi realizada auditoria numérica do fluxo de seleção neste manuscrito, não são reportadas contagens por etapa, mas a estratégia e critérios permitem reprodutibilidade por qualquer leitor.
A síntese foi narrativa estruturada por condição, com discussão crítica de heterogeneidade, riscos de viés e aplicabilidade clínica. A qualidade metodológica foi considerada por elementos como randomização, cegamento, controle placebo, completude de desfechos e controle de confundidores.
A OA envolve alterações degenerativas e inflamatórias articulares e dor persistente. A fisiopatologia inclui sinovite variável, alterações em cartilagem e osso subcondral e liberação de mediadores inflamatórios, os quais podem diminuir o limiar nociceptivo e sustentar hiperalgesia. Em doenças crônicas, há potencial participação de sensibilização central, o que contribui para resposta incompleta a terapias direcionadas apenas à via COX. Assim, abordagens multimodais são recomendadas, considerando controle de peso, reabilitação e analgesia farmacológica, de modo a melhorar função e bem-estar (BONICA, 1990).
Dermatopatias inflamatórias pruriginosas envolvem inflamação sustentada e mediadores pruritogênicos, com participação de células imunes e interação com fibras sensoriais cutâneas. Mastócitos atuam como células efetoras centrais em processos inflamatórios e alérgicos, liberando mediadores capazes de amplificar inflamação e perpetuar prurido. Em condições crônicas, a pele pode tornar-se um sítio de inflamação persistente, com exacerbações desencadeadas por alérgenos, ectoparasitas, infecções secundárias e disfunção de barreira.
O sistema endocanabinoide inclui receptores CB1 e CB2 e ligantes endógenos como anandamida, com participação na modulação de dor, inflamação e resposta imune (DEVANE et al., 1988). A PEA, embora não seja agonista canabinoide clássico, tem sido descrita como moduladora de vias relacionadas ao sistema endocanabinoide e de processos inflamatórios, com destaque para efeitos indiretos (DI MARZO; SKAPER, 2013).
A PEA é discutida por mecanismos complementares:
Um ponto essencial para a prática e para a reprodutibilidade é a farmacotécnica: formulações (micronizada/ultramicronizada) podem alterar biodisponibilidade e consistência de efeito, devendo ser explicitadas em estudos e em relatos clínicos.
Na OA, a PEA deve ser interpretada como terapia adjuvante, integrada a um protocolo de base. Em clínica, isso significa que seu uso faz mais sentido quando:
Em cães, a avaliação de resposta deve priorizar desfechos funcionais e, quando possível, medidas objetivas, para reduzir viés. Em gatos, a avaliação deve considerar desfechos comportamentais e funcionais, dado o padrão de expressão de dor crônica na espécie.
Em dermatologia, a PEA pode ser considerada como adjuvante para reduzir inflamação e prurido, mas a hierarquia terapêutica deve ser mantida: controle de ectoparasitas, tratamento de infecções secundárias e manejo etiológico (incluindo dieta quando indicada) continuam sendo determinantes do resultado. O papel potencial da PEA é complementar, possivelmente auxiliando em conforto, manutenção e redução de resgates em alguns pacientes.
A PEA é frequentemente associada a boa tolerabilidade, mas em cães e gatos com doenças crônicas é necessário considerar polifarmácia e uso prolongado. Assim, recomenda-se associar o uso a critérios objetivos de resposta e reavaliação periódica, evitando manutenção sem benefício mensurável.
A síntese sistematizada sustenta que a PEA possui coerência translacional para OA e dermatologia inflamatória/pruriginosa em cães e gatos ao atuar em eixos neuroimunes e inflamatórios que sustentam sinais crônicos. No entanto, a discussão pós-doutoral precisa diferenciar claramente plausibilidade biológica, sinal de benefício e nível de evidência.
Na osteoartrite, um ponto central é que a dor crônica não é exclusivamente uma dor “COX-dependente”. Mesmo quando a inflamação articular é um componente relevante, fatores de sensibilização e neuroinflamação podem sustentar dor persistente e explicar resposta parcial aos AINEs. Nesse cenário, terapias adjuvantes com perfil modulatório e potencial imunomodulador podem ser úteis, especialmente para otimizar qualidade de vida e função. Contudo, um erro comum é extrapolar esse racional para alegações de substituição terapêutica. A PEA, tal como discutida na literatura, se encaixa de modo mais robusto como adjuvante em analgesia multimodal, com hipótese de benefício incremental e, em tese, potencial efeito poupador de resgates em pacientes selecionados.
Em cães, a avaliação de eficácia deve ser cuidadosa devido ao risco de vieses em desfechos subjetivos e à influência de medidas concomitantes (reabilitação, perda de peso, adaptação ambiental). Em gatos, a exigência metodológica é ainda maior: a dor crônica se manifesta por alterações de mobilidade doméstica e comportamento, e a mensuração do efeito precisa capturar essas dimensões para evitar interpretações equivocadas.
Em dermatologia, a coerência mecanística com mastócitos e inflamação cutânea sustenta interesse na PEA como adjuvante para prurido e desconforto. Ainda assim, a discussão deve enfatizar que dermatopatias crônicas exigem abordagem etiológica e controle de fatores perpetuantes. Assim, a PEA não deve ser apresentada como terapia etiológica, mas como potencial componente complementar para conforto e manutenção, hipótese que precisa ser testada em ensaios controlados com desfechos específicos (intensidade de prurido, qualidade de vida, frequência de exacerbações, necessidade de resgates).
Do ponto de vista metodológico, a literatura em Medicina Veterinária tende a ser limitada por heterogeneidade de formulações, regimes de dose/duração e desfechos, além de escassez de estudos randomizados e controlados por placebo. Em revisões, essa heterogeneidade impede estimativas robustas de magnitude de efeito e aumenta o risco de superestimação. Assim, a contribuição mais sólida de um artigo de pós-doutorado é propor: (i) posicionamento clínico prudente (adjuvante), (ii) critérios objetivos de resposta e (iii) agenda de pesquisa com perguntas testáveis.
As limitações principais incluem heterogeneidade de formulações e protocolos, variabilidade de desfechos (incluindo ausência de instrumentos validados em parte da literatura), escassez de ensaios clínicos randomizados e controlados em cães e gatos, e ausência de farmacocinética comparativa robusta por espécie e formulação. Além disso, como não foi conduzida contagem auditável do fluxo de seleção neste manuscrito, não são reportadas contagens por etapa, o que caracteriza esta revisão como sistematizada, porém sem aderência completa a um checklist PRISMA com números.
Em OA, a PEA pode ser considerada adjuvante em cães e gatos com dor crônica, desde que integrada a manejo estruturante (controle de peso, reabilitação e ambiente) e monitorada por desfechos funcionais e qualidade de vida. Em dermatologia pruriginosa, a PEA pode ser considerada adjuvante para conforto e modulação inflamatória, desde que o manejo etiológico e fatores perpetuantes estejam controlados. Em ambos os cenários, recomenda-se estabelecer janelas de reavaliação com metas terapêuticas claras.
São prioritários: ensaios clínicos randomizados duplo-cegos com placebo; padronização de formulação/dose/duração; desfechos validados por espécie (dor e função em OA; prurido e qualidade de vida em dermatologia); farmacocinética/farmacodinâmica por espécie; e farmacovigilância em uso prolongado e polifarmácia.
A PEA é promissora como terapia adjuvante em OA e dermatopatias inflamatórias pruriginosas em cães e gatos, com plausibilidade mecanística coerente e sinal de benefício. Entretanto, limitações metodológicas e heterogeneidade de evidência impedem recomendações universais. Sua incorporação deve ser criteriosa, baseada em metas e mensuração objetiva de resposta, enquanto a pesquisa deve avançar em padronização, farmacocinética por espécie e ensaios clínicos robustos.
BONICA, J. J. The management of pain. 2. ed. Philadelphia: Lea & Febiger, 1990.
DEVANE, W. A. et al. Determination and characterization of a cannabinoid receptor in rat brain. Molecular Pharmacology, v. 34, n. 5, p. 605-613, 1988.
DI MARZO, V.; SKAPER, S. D. Palmitoylethanolamide: biochemistry, pharmacology and therapeutic use. CNS & Neurological Disorders – Drug Targets, v. 12, p. 4-6, 2013.
RE, G. et al. Palmitoylethanolamide in protection against tissue inflammation and pain. The Veterinary Journal, v. 173, p. 21-30, 2007.
SANTOS, F. R. B. et al. Ação analgésica e anti-inflamatória da palmitoiletanolamida. Medvep – Revista Científica de Medicina Veterinária – Pequenos Animais e Animais de Estimação, v. 12, n. 44, p. 114-118, 2015.
Dr. Cláudio Amichetti Júnior¹,²
Gabriel Amichetti³
¹ Integrative Veterinarian – CRMV-SP 75.404 VT; MAPA 00129461/2025; CREA 060149829-SP (Agronomist Engineer). Specialist in Feline and Canine Nutrition, Cannabinoid Medicine and Natural Feeding, Petclube. Over 40 years of practical experience dedicated to felines and bull-type dogs, focusing on dietary transition and welfare protocols.
² Petclube Institutional Affiliation, São Paulo, Brazil.
³ Veterinarian – CRMV-SP 45.592 VT. Specialization in Small Animal Orthopedics and Surgery – Clínica 3RD, Vila Zelina, São Paulo, Brazil.
Corresponding author: Cláudio Amichetti Júnior. E-mail: dr.claudio.amichetti@gmail.com
Conflict of interest: The authors declare no conflict of interest.
Journal: Petclube – Ciência, Genética e Bem-Estar Animal.
(O mesmo Abstract já apresentado acima.)
Persistent pain and chronic pruritus are major drivers of suffering in dogs and cats and represent a high-demand area in small animal practice. Osteoarthritis (OA) is one of the leading causes of chronic musculoskeletal pain, associated with functional limitation, reduced activity and behavioral changes. In dogs, stiffness and lameness are common; in cats, clinical expression is often subtle and may present as decreased jumping, reduced social interaction, impaired grooming and temperament changes. In dermatology, chronic pruritus and cutaneous inflammation lead to persistent discomfort, self-trauma and recurrent secondary infections, markedly impacting the animal’s and the owner’s quality of life.
Although OA and inflammatory/pruritic dermatopathies are distinct diseases, they converge through an inflammation–neuroimmunity–sensitization axis. In OA, inflammatory mediators and articular microenvironment changes contribute to persistent pain, with the involvement of cytokines, eicosanoids and, in subgroups, central sensitization. In dermatology, chronic cutaneous inflammation involves effector immune cells (such as mast cells), pruritogenic mediators and immune–sensory nerve interactions that favor symptom persistence and flare-ups.
Accordingly, modern clinical management increasingly relies on multimodal approaches combining non-pharmacological and pharmacological interventions to target complementary pathophysiological pathways. The endocannabinoid system and related pathways have gained attention for their role in pain and inflammation modulation, and palmitoylethanolamide (PEA), an endogenous N-acylethanolamine, has been investigated as an adjunct therapy with immunomodulatory and antinociceptive properties (DI MARZO; SKAPER, 2013).
Therefore, this article aims to provide a systematized synthesis of the literature on PEA in dogs and cats focusing on OA and inflammatory/pruritic dermatology, discussing mechanistic foundations, clinical evidence, limitations and practical implications.
A systematized review was conducted with a structured search, explicit eligibility criteria and condition-based synthesis (OA and dermatology). The review covered 2000–2026 and searched PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science, CAB Abstracts and Google Scholar. Search strings combined PEA terms (“palmitoylethanolamide”, PEA) with species terms (dog/canine; cat/feline) and condition terms (osteoarthritis/pain/mobility; pruritus/dermatitis/atopic dermatitis/skin). Inclusion criteria comprised experimental and clinical studies in dogs and/or cats evaluating PEA with outcomes relevant to OA-related pain or inflammatory/pruritic dermatology, peer-reviewed publications and Portuguese/English/Spanish languages. Exclusion criteria included human-only studies without veterinary applicability and reports lacking minimal intervention details (formulation/dose/duration). Study selection was performed through title/abstract screening followed by full-text assessment. Data extraction included species, condition, study design, sample size, formulation, dosing regimen, treatment duration, comparator, outcomes and adverse events. Because a numerical audit of the selection flow was not performed in this manuscript, PRISMA-style counts are not reported; however, the search strategy and criteria are provided to enable reproducibility.
OA involves degenerative and inflammatory articular changes and persistent pain. The pathophysiology includes variable synovitis, cartilage and subchondral bone alterations and inflammatory mediator release, which can lower nociceptor thresholds and sustain hyperalgesia. In chronic disease, central sensitization may contribute to incomplete responses to COX-targeted therapies, supporting multimodal approaches (BONICA, 1990).
In inflammatory/pruritic dermatology, chronic pruritus involves inflammatory and pruritogenic mediators and immune–sensory nerve interactions. Mast cells are central effector cells in allergic and inflammatory processes, releasing mediators that amplify inflammation and sustain itch.
The endocannabinoid system includes CB1/CB2 receptors and endogenous ligands such as anandamide, contributing to pain and inflammation modulation (DEVANE et al., 1988). PEA is not a classical cannabinoid agonist but has been described as modulating related pathways and inflammatory processes (DI MARZO; SKAPER, 2013). Proposed mechanisms include mast cell modulation (ALIA), PPAR-α activation and indirect endocannabinoid modulation (“entourage effect”). Pharmacotechnical aspects (e.g., micronized/ultramicronized formulations) may influence bioavailability and clinical consistency and should be reported in studies and considered in comparisons.
In OA, PEA is best positioned as an adjunct integrated into a structured baseline protocol (weight control, rehabilitation, environmental modifications, and appropriate pharmacologic analgesia/anti-inflammatory therapy). In dermatology, PEA may be considered an adjunct for comfort and inflammation/pruritus modulation, while etiologic management and control of perpetuating factors remain essential. For chronic use, tolerability should be monitored, and objective response criteria should guide continuation.
The systematized synthesis supports translational coherence for PEA as an adjunct in OA and inflammatory/pruritic dermatology in dogs and cats by targeting neuroimmune and inflammatory pathways sustaining chronic clinical signs. However, a high-level interpretation must clearly differentiate biological plausibility, signal of benefit and level of evidence.
In OA, chronic pain is not exclusively COX-dependent; sensitization and neuroinflammation may sustain symptoms and contribute to partial responses to NSAIDs. Adjunctive therapies with modulatory and immunomodulatory profiles may therefore be useful to improve function and welfare. Still, mechanistic plausibility should not be extrapolated to claims of therapeutic substitution. PEA is more robustly framed as an adjunct component in multimodal analgesia, with a hypothesis of incremental benefit and potential rescue-sparing effects in selected patients.
In dermatology, mechanistic alignment with mast cells and cutaneous inflammation provides rationale for adjunctive use in pruritus and discomfort, but etiologic and perpetuating factors must be addressed. Accordingly, PEA should not be presented as an etiologic therapy but as a complementary approach potentially contributing to comfort and maintenance, which requires confirmation through controlled trials with pruritus and quality-of-life outcomes.
Methodologically, veterinary evidence is often limited by heterogeneity in formulations, dosing regimens and outcome measures and by a scarcity of randomized placebo-controlled trials in dogs and cats. This heterogeneity prevents robust effect-size estimation and increases the risk of overestimation, particularly in subjective outcomes. Therefore, a key contribution of this review is to propose a prudent clinical positioning (adjunct), objective response criteria and a research agenda with testable questions.
Limitations include heterogeneity across formulations and protocols, variable outcome measures (including the lack of validated instruments in part of the literature), scarcity of randomized controlled trials in dogs and cats, and gaps in species-specific pharmacokinetics and long-term safety. Additionally, because a numerical audit of the study selection flow was not performed, PRISMA-style counts are not reported, characterizing this work as a systematized synthesis rather than a full PRISMA-compliant systematic review.
In OA, PEA may be considered an adjunct in dogs and cats with chronic pain, provided it is integrated into a structured baseline management plan and monitored through functional and quality-of-life outcomes. In inflammatory/pruritic dermatology, PEA may be considered an adjunct for comfort and inflammation modulation while etiologic management remains central. In both contexts, reassessment windows and objective response criteria are recommended.
Priorities include randomized double-blind placebo-controlled trials, standardized formulation/dose/duration reporting, validated outcomes by species (pain/function for OA; pruritus/quality of life for dermatology), PK/PD studies by species, and pharmacovigilance in long-term use and polypharmacy scenarios.
PEA is promising as an adjunct therapy in OA and inflammatory/pruritic dermatology in dogs and cats, with mechanistic plausibility and a signal of benefit. However, methodological limitations and heterogeneity preclude universal recommendations. Its use should be prudent and outcome-driven, while research should advance through standardization, species-specific pharmacokinetics and robust clinical trials.
BONICA, J. J. The management of pain. 2nd ed. Philadelphia: Lea & Febiger, 1990.
DEVANE, W. A. et al. Determination and characterization of a cannabinoid receptor in rat brain. Molecular Pharmacology, v. 34, n. 5, p. 605-613, 1988.
DI MARZO, V.; SKAPER, S. D. Palmitoylethanolamide: biochemistry, pharmacology and therapeutic use. CNS & Neurological Disorders – Drug Targets, v. 12, p. 4-6, 2013.
RE, G. et al. Palmitoylethanolamide in protection against tissue inflammation and pain. The Veterinary Journal, v. 173, p. 21-30, 2007.
SANTOS, F. R. B. et al. Ação analgésica e anti-inflamatória da palmitoiletanolamida. Medvep – Revista Científica de Medicina Veterinária – Pequenos Animais e Animais de Estimação, v. 12, n. 44, p. 114-118, 2015.
Sarna Demodécica
A sarna demodécica, também conhecida por demodecicose ou sarna negra, é causada pelo ácaro Demodex Canis, que faz parte da fauna natural presente na pele de todos os cães. O ácaro habita os folículos pilosos e, por vezes, as glândulas sebáceas. Da mesma forma que o seu parente, Demodex Folliculorum, habita os folículos pilosos da pele humana causando o cravo cutâneo.
Não há risco de transmissão para o homem. Essa família é espécie-específica, possuindo afinidade com um tipo de hospedeiro. Assim o Demodex Canis habita a pele dos cães, o Demodex Cati a pele dos felinos e o Demodex Cunicule a pele dos coelhos e lebres.
Demodex Canis.
Mede 40 por 300 micra.
(Micra é o plural de mícron e este representa a milésima parte de um milímetro)
A transmissão sempre se dá pelo contato. Mas não é simples, pois o ácaro permanece abaixo da epiderme, na camada chamada derme, onde estão abrigados vasos, nervos, glândulas sebáceas, sudoríparas e os folículos pilosos. O contato deve ser estreito e prolongado para que haja transmissão, como no caso da amamentação da ninhada em que o ácaro passa da mãe para os filhotes. Alguns experimentos comprovaram que não há transmissão intra-uterina e nem na passagem pelo canal vaginal, sendo que, após o nascimento e inicio da lactação, em um período entre 8 e 18 horas todos os filhotes já apresentam o ácaro na região do focinho. Essa transmissão é do ácaro. É absolutamente normal e não implica no desenvolvimento da demodecicose.
Um outro experimento demonstrou a transmissão de um filhote que desenvolveu a demodecicose generalizada, para outros filhotes de linhagem tradicionalmente isenta, ao reuni-los todos, em um mesmo canil. Isso comprova que um ambiente saturado por uma superpopulação de Demodex canis, em seus vários estágios de desenvolvimento pode levar os filhotes sadios a um nível de infestação superior a capacidade de controle de seu sistema imunológico e ao desenvolvimento da Demodecicose.
Mas essas circunstâncias são muito especiais e a maior parte da literatura assume que não há transmissão lateral da sarna demodécica.
Há pouco tempo, a sarna demodécica foi considerada uma doença hereditária. Atualmente sabe-se que a questão está ligada a uma deficiência do sistema imunológico . Mais especificamente, à produção de um tipo de linfócito (glóbulo branco) conhecido como célula T ou Linfócito T, que tem um importante papel no sistema imune.
Essa limitação do sistema imunológico poderá levar ao desenvolvimento da sarna demodécica e de outras doenças.
Independentemente da qualidade do seu sistema imunológico(filhotes e adultos mal tratados, estresse), outros fatores de estresse poderão levar um cão para um quadro de imunossupressão, e para o desenvolvimento da Demodecicose. O hipotireoidismo, algumas neoplasias ou uma forte infestação verminótica são bons exemplos. O uso prolongado de corticosteróides, por sua característica imunossupressora, tem sido associado a casos de demodecicose.
Existem, fundamentalmente, dois tipos de Demodecicose, a localizada e a generalizada.
"A Demodicose localizada e a demodicose generalizada devem ser consideradas como duas entidades patológicas distintas, exigindo diferentes terapias, com atenção a dieta, ao programa de vacinação e tratamento anti-helmíntico. Nos animais adultos, causas primárias podem contribuir para uma imunossupressão, favorecendo assim a proliferação do D.Canis (CHESNEY, 1999)."
Em ambos os casos, o diagnóstico somente poderá ser confirmado pelo exame microscópico do raspado profundo da pele lesionada, constatando a presença de vários ácaros em seus diversos estágios de desenvolvimento, por campo de observação.
A Demodecicose localizada.
Como o próprio nome sugere, as lesões ocupam áreas reduzidas e descontinuadas. Normalmente na cabeça, pescoço ou membros anteriores. Mas nada impede que surjam manchas em outras regiões do corpo. O primeiro sinal é a alopecia (perda de pêlos), que é seguida pelo surgimento de eritema em graus variados (coloração avermelhada da pele ocasionada por vasodilatação capilar, sendo um sinal típico da inflamação). Não são freqüentes o pruridos (coceira) ou a piodermite secundária (condição infecciosa, produtora de pus, causada por outros organismos oportunistas).
A ocorrência de Demodecicose localizada é, relativamente, comum no primeiro ano de vida dos filhotes, devido às flutuações do seu sistema imunológico. A cura ocorre naturalmente em 80% dos cães, sem qualquer tratamento. Em 10 % dos casos há evolução para a Demodecicose generalizada, configurando um quadro mais grave que poderá dar trabalho até cura controlada. Há necessidade de acompanhamento veterinário especialista para a correta avaliação da evolução do quadro clínico.
"O fato de alguém tomar um porre, não o qualifica como alcoólatra"
Demodecicose generalizada.
É a forma grave da doença e ocorre como conseqüência de uma predisposição hereditária à imunossupressão.
A doença se apresenta como uma dermatite crônica. Há alopecia em áreas maiores, com descamação, formação de crostas, hiperpigmentação (manchas) e piodermites severas. Poderá ocorrer inflamação dos gânglios, febre e perda de peso.
As infecções secundárias, pela diversidade de microorganismos oportunistas, exigem coleta de material, cultura e antibiograma, para tratamento específico.
O resultado do hemograma do cão com sarna demodécica generalizada, em 50% dos casos, apresenta anemia não regenerativa, normocíticas ou normocrómicas. Apresenta, ainda, baixos níveis de Tiroxina Sérica.
É possível a cura controlada.
Pododemodecicose
Na podemodecicose o cão apresenta lesões nas patas, na região interdigital. Poderá ocorrer sem que surjam lesões em outras áreas. Têm caráter crônico e normalmente vem acompanhada por piodermites.
"A área afetada apresenta tumefação, cistos interdigitais que ulceram e drenam material exsudativo ou serosanguinolento formando crostas hemorrágicas. A pele fica hiperpigmentada e espessada e pode conter pústulas interdigitais (BENSIGNOR; CARLOTTI, 2000)."
Tratamento
"Na demodicicose localizada não é indicado tratamento, pois 90% dos casos tem cura espontânea em algumas semanas a meses e estudos demonstram que não há diferença na taxa de cura nos casos tratados e não tratados (BENSIGNOR; CARLOTTI, 2000; SANTAREM 2007)."
Na demodecicose generalizada o tratamento deve ser iniciado pelo combate aos causadores primários, se comprovados, como verminoses ou o hipotireoidismo.
A piodermite deve ser tratada com prioridade. Na ausência de antibiograma tem sido empregada com grande sucesso no tratamento das infecções secundaria a Cefalexina, na dose de 20 mg por kg de peso vivo durante 14 dias.
Para o combate ao Demodex canis, a recomendação do FDA (Food and Drug Administration) é o uso tópico em banhos ou pulverizações do Amitrax na concentração de 250 ppm. No Brasil é comum o emprego do Triatox da Schering-Plough, na dosagem de 4 mL por litro de água em banhos semanais até que os raspados de pele se mostrem negativos.
Um dia antes do banho com a solução de Amitrax o cão deve ser banhado com um xampu anti-séptico, para remoção de caspas, crostas e exsudatos, permitindo uma maior penetração do medicamento. O cão não deve ser enxaguado e deve secar o pelo à sombra.
A Virbac produz no Brasil uma coleira dermatológica à base de Amitrax, chamada de Preventic, que configura bom apoio ao tratamento.
Nas lesões interdigitais pode ser passada, diariamente, uma solução de Triatox em óleo mineral, na concentração de 1 mL para 10 mL de óleo.
Um medicamento de uso sistêmico que vem sendo empregado com sucesso é a Ivermectina, em uso oral, na posologia de 0,5 mg/Kg em dose diária, durante 90 dias.
"A Ivermectina se mostra se mostra efetiva em 83,3 % dos cães tratados por um período de dez a dezoito semanas e por mais um mês após a cura clínica na dose de 300 a 600 µg/kg (PARADIS, 1999)."
O Levamisol têm sido empregado como coadjuvante no tratamento sistêmico, principalmente, por suas propriedades estimulantes do sistema imunológico.
Dr. Cláudio Amichetti Junior dermatologia veterinária : Veterinário Integrativo em São Paulo
O Dr. Cláudio Amichetti Junior (CRMV-SP 75404 VT), médico veterinário integrativo, criador de felinos de raça e cães de guarda, e com mais de 30 anos como CEO do PetClube, é engenheiro agrônomo formado em 1985 pela UNESP de Jaboticabal com o maior número de créditos possíveis em sua turma. Ele oferece atendimento especializado para pets em diversas localidades.
Seu espaço holístico e meditativo, PetClube, está localizado no Km 334 da Rodovia Régis Bittencourt, em Juquitiba/SP. É facilmente acessível para tutores de São Paulo, Morumbi, Vila Olímpia, Moema, Pinheiros, Jardins, Alphaville, São Bernardo do Campo, Itapecirica da Serra e adjacências.
Além de Juquitiba, o Dr. Amichetti dermatologia veterinária atende presencialmente as regiões de Embu-Guaçu, Itapecirica da Serra, São Lourenço da Serra, Miracatu, São Bernardo do Campo, Santo André e São Caetano do Sul. Sua expertise abrange também bairros nobres de São Paulo como Vila Nova Conceição, Cidade Jardim, Jardim Paulistano, Ibirapuera, Lapa, Aclimação, Higienópolis, Itaim Bibi, Tatuapé e Mooca.
Dr. Cláudio é pioneiro em um sistema sustentável com alimentação 100% natural (raw feeding) e ingredientes orgânicos cultivados em seu espaço holístico em Juquitiba / São Lourenço da Serra, garantindo dietas frescas e livre de agrotóxicos para seus pacientes. Ele é especialista em modulação intestinal, sistema endocanabinoide e nutrição natural, prevenindo obesidade, alergias e distúrbios metabólicos-dermatologia veterinária .
Para quem não está na região, oferece telemedicina para todo o Brasil com acompanhamento de médico veterinário, utilizando as plataformas Zoom e Google. É importante ressaltar que a primeira consulta deve ocorrer na presença de um médico veterinário local, garantindo que pets em qualquer lugar tenham acesso à sua abordagem integrativa.
Para agendamentos ou mais informações, visite www.petclube.com.br ou entre em contato pelo WhatsApp (11) 99386-8744. Seu pet merece saúde natural, equilíbrio e longevidade sustentável.
Amichettibullys & AMICAT´S Bengal Maine Coon Ragdoll Exótico
Villa Amichetti- Paraíso Ecológico- uma forma sustentável de ConViver.
Rod. Régis Bittencourt, km 334, apenas 40 min. de SP-Juquitiba .
Agende uma agradável visita para adquirir seu filhote e faça belo passeio no santuário ecológico com a Mata Atlântica preservada.
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