Revista Científica Medico Veterinária Petclube Cães Gatos - NEOPLASIAS

NEOPLASIAS

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    🐾  Dr. Cláudio Amichetti Júnior¹,²

    ¹ Médico-veterinário Integrativo – CRMV-SP 75.404 VT; CREA 060149829-SP Engenheiro Agrônomo Sustentável, Especialista em Nutrição Felina e Alimentação Natural, Petclube. Com mais de 40 anos de experiência prática dedicados aos felinos, com foco em transição dietética e desenvolvimento de protocolos de bem-estar.
    ² [Afiliação Institucional  Petclube, São Paulo, Brasil]

  • MALEFÍCIOS DA CASTRAÇÃO PRECOCE EM CÃES: revisão crítica da literatura científica

    PETCLUBE – CIÊNCIA, GENÉTICA E BEM-ESTAR ANIMAL

    MALEFÍCIOS DA CASTRAÇÃO PRECOCE EMCÃES:

    revisão crítica da literatura científica

    Artigo de revisão crítica sobre os impactos da gonadectomia precoce na saúde e bem-estar

    canino.

     

    AUTORES:

    Dr. Cláudio Amichetti Júnior¹,²; Dr. Gabriel Amichetti³

    ¹ Médico-veterinário Integrativo – CRMV-SP 75.404 VT; MAPA 00129461/2025; CREA

    060149829-SP (Eng. Agr.). Especialista em Nutrição Felina e Canina, Medicina Canabinóide e

    Alimentação Natural, Petclube.

    ² Petclube, São Paulo, Brasil.

    ³ Médico-veterinário – CRMV-SP 45.592 VT. Especialização em Ortopedia e Cirurgia de Pequenos

    Animais – Clínica 3RD, Vila Zelina, São Paulo, Brasil.

    Autor correspondente:Cláudio Amichetti Júnior. E-mail: dr.claudio.amichetti@gmail.com

    Conflito de interesses:Os autores declaram não haver conflito de interesses.

    Periódico:Petclube – Ciência, Genética e Bem-Estar Animal.

    Resumo

    A gonadectomia é um dos procedimentos cirúrgicos mais realizados na medicina veterinária de pequenos animais, frequentemente indicada para controle populacional e prevenção de enfermidades reprodutivas. Nas últimas décadas, difundiu-se a prática da castração precoce, realizada antes da maturidade sexual. Entretanto, evidências científicas acumuladas indicam quea remoção antecipada das gônadas pode interferir de modo relevante na fisiologia do desenvolvimento canino, aumentando o risco de doenças ortopédicas, neoplasias, distúrbios urinários e alterações metabólicas. Estudos recentes demonstram que esses efeitos adversos variam significativamente conforme a raça, porte e finalidade do animal, sendo particularmente preocupantes em cães de raça definida e em cães de trabalho. O presente trabalho apresenta uma revisão crítica da literatura científica sobre os efeitos adversos da castração precoce em cães, discutindo mecanismos fisiológicos, implicações clínicas e aspectos ético-jurídicos relacionados ao bem-estar animal.

    Palavras-chave: gonadectomia; castração precoce; cães; ortopedia veterinária; neoplasias; bem-estar animal; cães de trabalho.

    1. Introdução

    A esterilização cirúrgica por gonadectomia é amplamente utilizada na medicina veterinária como estratégia de controle populacional e prevenção de doenças reprodutivas em cães. A ovariohisterectomia em fêmeas e a orquiectomia em machos são procedimentos considerados rotineiros na prática clínica, especialmente em países como Estados Unidos, Reino Unido e Brasil.

    Nas últimas décadas, recomendações para castração em idades cada vez mais precoces — frequentemente antes dos seis meses — foram incorporadas a programas de controle populacional e campanhas de adoção. Essa prática, embora difundida, tem sido progressivamente questionada na literatura científica, sobretudo quando aplicada de forma homogênea, sem estratificação por raça, porte, sexo e risco individual.

    A remoção das gônadas antes da maturidade sexual interrompe precocemente a produção de esteroides sexuais, hormônios com papel central no crescimento, na maturação de tecidos e na regulação de múltiplos eixos fisiológicos. Dessa forma, a castração precoce deve ser entendida não apenas como intervenção reprodutiva, mas como intervenção endócrina com potencial de repercussões sistêmicas negativas.

    Evidências científicas recentes associam a gonadectomia precoce a alterações significativas no crescimento ósseo, na maturação do sistema musculoesquelético, no metabolismo energético e no desenvolvimento do trato urinário. Estudos epidemiológicos de grande escala, como os realizados pela Universidade da Califórnia em Davis, demonstraram que a castração precoce pode aumentar em até três vezes o risco de doenças ortopédicas e determinados tipos de câncer em algumas raças (HART et al., 2016; TORRES DE LA RIVA et al., 2013).

    Além das implicações clínicas, a prática da castração precoce levanta questões éticas e jurídicas relevantes. Em diversos países europeus, como Alemanha e Noruega, a castração sem indicação terapêutica é restrita ou proibida por legislação de proteção animal, sendo considerada uma intervenção desnecessária que pode comprometer o bem-estar do animal (FOSSATI, 2024; EUROPEAN CONVENTION, 2025).

    A distinção entre cães sem raça definida e cães de raça definida assume particular importância nessa discussão. Enquanto a castração de cães sem raça definida pode ser justificada como medida de controle populacional e prevenção de abandono, em cães de raça definida a decisão deve considerar a preservação de características genéticas e a predisposição a enfermidades específicas da raça. Em cães de trabalho, como Pastores Alemães e Belgian Malinois, amanutenção da homeostase hormonal é fundamental para o desempenho de funções como faro, proteção e busca, tornando a castração precoce particularmente desaconselhável

    Diante desse contexto, o presente trabalho tem como objetivo realizar uma revisão crítica da literatura científica sobre os principais efeitos adversos associados à castração precoce em cães, enfatizando mecanismos fisiológicos, implicações clínicas, aspectos ético-jurídicos e recomendações diferenciadas conforme a finalidade do animal.

    2. Fisiologia hormonal e desenvolvimento

    Os hormônios sexuais gonadais exercem funções essenciais na regulação do crescimento e do desenvolvimento do organismo canino. Testosterona e estrogênios participam, direta ou indiretamente, de processos fisiológicos fundamentais, incluindo:

    • fechamento das placas epifisárias;

    • desenvolvimento e manutenção do sistema musculoesquelético;

    • preservação de massa muscular;

    • modulação do metabolismo energético;

    • maturação do sistema geniturinário;

    • regulação do comportamento e funções cognitivas.

    Quando a castração ocorre antes da maturidade sexual, a interrupção precoce da produção hormonal altera trajetórias fisiológicas esperadas do desenvolvimento. Um achado consistentemente relatado na literatura é o atraso no fechamento das placas epifisárias, resultando em crescimento prolongado dos ossos longos e alteração da biomecânica articular (HART et al., 2016; VETFOLIO, 2020).

    A testosterona, em particular, desempenha papel crucial no desenvolvimento muscular, na densidade óssea e na agilidade — atributos essenciais para cães de trabalho. Estudos indicam que a remoção precoce dessa fonte hormonal pode comprometer a capacidade de desempenho em atividades que exigem força, resistência e coordenação motora (LEERBURG, 2023;BOWMAN REPORT, 2022).

    Além disso, os hormônios sexuais participam da modulação do sistema nervoso central,influenciando comportamentos relacionados à atenção, foco e motivação — características críticas para cães de trabalho em atividades de faro, proteção e busca. A interrupção precoce da produção hormonal pode, portanto, comprometer não apenas o desenvolvimento físico, mas também o perfil comportamental necessário para essas funções.

    3. Alterações ortopédicas associadas à castração precoce

    Estudos epidemiológicos robustos demonstram que cães submetidos à castração precoce apresentam maior incidência de doenças ortopédicas ao longo da vida. Entre as condições mais frequentemente associadas, destacam-se:

    • displasia coxofemoral;

    • displasia de cotovelo;

    • ruptura do ligamento cruzado cranial;

    • doença do disco intervertebral.

    O estudo seminal de Hart et al. (2016), publicado na Veterinary Medicine and Science, analisou 1.170 Pastores Alemães e demonstrou que a castração antes dos 12 meses de idade triplicavao risco de uma ou mais doenças articulares. Machos castrados precocemente apresentaram incidência de 21% de doenças ortopédicas, comparados a 7% em machos intactos. Fêmeas castradas antes de um ano apresentaram incidência de 16%, comparadas a 5% em fêmeas

    intactas.

    O estudo de Torres de la Riva et al. (2013), publicado na PLOS ONE, analisou 759 GoldenRetrievers e demonstrou que a castração antes dos 12 meses de idade aumentavasignificativamente o risco de displasia coxofemoral e ruptura do ligamento cruzado cranial.

    Machos castrados precocemente apresentaram risco três vezes maior de ruptura do ligamentocruzado em comparação com machos intactos.

    Hart et al. (2020) ampliaram essa análise para 35 raças e para cães mestiços, confirmando que o risco de doenças ortopédicas associadas à castração precoce varia conforme a raça e o porte.

    Em raças de grande porte, como Golden Retriever, Labrador Retriever e Pastor Alemão, os riscos são particularmente elevados. Em contraste, em raças de pequeno porte, os riscos ortopédicos são menos expressivos.

    Essas alterações estão relacionadas à interferência da gonadectomia precoce no fechamento das placas epifisárias e no desenvolvimento do sistema musculoesquelético. O crescimento prolongado dos ossos longos altera a biomecânica articular, aumentando a carga sobre estruturas como o ligamento cruzado cranial e a articulação coxofemoral.

    Para cães de trabalho, como Pastores Alemães e Belgian Malinois, essas alterações ortopédicastêm implicações particularmente graves. Esses animais frequentemente atuam em atividades que exigem agilidade, saltos e corridas, sendo a integridade do sistema musculoesquelético fundamental para o desempenho de suas funções. A castração precoce pode, portanto, comprometer a capacidade operacional desses animais e reduzir sua vida útil de trabalho.

    Doença Possível mecanismo Impacto clínico Relevância para cãesde trabalho

    Displasia coxofemoral Alteração do crescimento ósseo e maturação articular

    Dor crônica e osteoartrite

    Comprometimento da mobilidade e desempenho

    Ruptura do ligamento cruzado cranial

    Alteração biomecânica articular; maior carga no joelho

    Instabilidade articular e claudicação

    Afastamento temporário ou definitivo do trabalho

    Displasia de cotovelo Desenvolvimento ósseo anormal e incongruência articular

    Claudicação e progressão para artrose

    Redução da capacidade funcional

    Doença do disco intervertebral

    Alterações estruturais e predisposição mecânica

    Dor e possível déficit neurológico

    Risco de aposentadoria precoce

    Fonte: elaboração própria, com base em Hart et al. (2016, 2020), Torres de la Riva et al.

    (2013) e literatura revisada.

    Nota: as associações variam conforme raça, porte, sexo, idade à gonadectomia e fatores de

    confusão.

    4. Alterações do sistema urinário

    A castração precoce tem sido consistentemente associada a alterações do desenvolvimento do sistema geniturinário, com impacto sobre anatomia e função. Entre os efeitos descritos, incluem-se:

    • incontinência urinária em cadelas;

    • desenvolvimento insuficiente da vulva;

    • alterações no tônus do esfíncter uretral;

    • imaturidade anatômica do trato urinário.

    Estudo do Royal Veterinary College (PEGRAM et al., 2019) demonstrou que a idade da castraçãoestá diretamente associada ao risco de incontinência urinária de início precoce. Cadelas castradas antes dos seis meses apresentaram risco 1,82 vezes maior de desenvolver incontinência urinária em comparação com cadelas castradas após essa idade.

    O estudo de Pegram et al. (2024), publicado no Veterinary Record, confirmou que a castração em idade mais avançada resulta em menor risco de incontinência urinária de início precoce. Os autores estimam que a incontinência urinária pode afetar até 20% das cadelas castradas, desenvolvendo-se em média 2,9 anos após o procedimento.

    A incontinência urinária pós-castração é uma complicação clinicamente relevante porque pode surgir tardiamente, anos após o procedimento, com repercussões no bem-estar do animal e no manejo do tutor. Do ponto de vista crítico, a ocorrência e gravidade do problema não são homogêneas; a literatura sugere variabilidade por porte e por fatores individuais, reforçando a necessidade de individualização da conduta e de aconselhamento claro sobre risco-benefício quando a castração é proposta em idades muito precoces.

    5. Alterações metabólicas e obesidade

    A gonadectomia é associada a mudanças significativas no metabolismo energético e no comportamento alimentar. Estudos demonstram que após a castração ocorrem:

    • redução do metabolismo basal;

    • aumento do apetite;

    • maior predisposição ao ganho de peso.

    O estudo de Yang et al. (2023), publicado na Animals, observou taxa de obesidade de 60% aos 21meses após a castração, demonstrando o impacto metabólico significativo do procedimento. O estudo de Bjørnvad et al. (2019), publicado na Preventive Veterinary Medicine, confirmou que a castração aumenta o risco de obesidade em cães machos, embora o efeito seja menos consistente em fêmeas.

    A obesidade, por sua vez, atua como fator agravante de diversas condições crônicas, incluindo intolerância ao exercício, alterações osteoarticulares, diabetes mellitus e maior risco cardiometabólico. Para cães de trabalho, o ganho de peso excessivo pode comprometer diretamente a capacidade de desempenho, reduzindo agilidade, resistência e eficiência em atividades operacionais.

    Em uma leitura crítica, a obesidade não deve ser atribuída exclusivamente ao procedimento: dieta, atividade física e manejo são determinantes centrais. Ainda assim, a castração precoce pode aumentar vulnerabilidade metabólica em um período em que o animal ainda está em crescimento, tornando o controle nutricional e a orientação ao tutor ainda mais decisivos.

    6. Associação com neoplasias

    Parte da literatura epidemiológica investiga a relação entre castração precoce e desenvolvimento de neoplasias em cães. Estudos observacionais identificam aumento de incidência de determinados tumores em subgrupos de animais castrados precocemente, incluindo:

    • osteossarcoma;

    • hemangiossarcoma;

    • linfoma;

    • mastocitoma.

    O estudo de Torres de la Riva et al. (2013) demonstrou que Golden Retrievers castrados apresentavam risco significativamente aumentado de hemangiossarcoma e linfossarcoma em comparação com animais intactos. Fêmeas castradas apresentaram risco mais que quatro vezesmaior de hemangiossarcoma cardíaco em comparação com fêmeas intactas.

    Hart et al. (2020) confirmaram esses achados em múltiplas raças, demonstrando que o risco de neoplasias associadas à castração varia conforme a raça, o sexo e a idade do procedimento. Em algumas raças, como Golden Retriever e Pastor Alemão, os riscos de câncer associados à castração precoce são particularmente elevados.

    O estudo de Cooley et al. (2002), publicado na Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention, demonstrou que a castração aumenta em duas vezes o risco de osteossarcoma em raças de grande porte. Os mecanismos propostos incluem a participação dos hormônios sexuais na modulação de vias de regulação celular e na manutenção da densidade óssea.

    Os mecanismos propostos ainda não estão completamente elucidados. Hipóteses incluem a participação dos hormônios sexuais na modulação de vias de regulação celular e na imunomodulação, além de efeitos indiretos mediados por composição corporal e metabolismo.

    Em termos críticos, é essencial reconhecer que associações populacionais não equivalem, por si, a causalidade individual, e que os riscos variam entre raças e portes. Ainda assim, quando há sinais consistentes de risco aumentado em grupos específicos, a recomendação uniforme de castração em idade muito jovem torna-se cientificamente frágil e potencialmente prejudicial.

    7. Impacto comportamental e desempenho de cães de trabalho

    A castração precoce pode interferir no comportamento e no desempenho de cães de trabalho, embora a literatura apresente resultados variados. Estudos indicam que a remoção dos hormônios sexuais pode afetar:

    • motivação e drive de trabalho;

    • capacidade de foco e atenção;

    • agressividade direcionada ao trabalho (proteção);

    • confiança e estabilidade emocional.hormonal é frequentemente considerada fundamental para o desempenho de funções como faro, proteção e busca. Criadores e treinadores dessas raças frequentemente recomendam evitar a castração precoce para preservar as características comportamentais necessárias ao trabalho (LEERBURG, 2023; EUROPEAN BELGIAN MALINOIS, 2024).

    O estudo de Abdel Fattah e Abdel-Hamid (2020), publicado no Journal of Advanced Veterinary andAnimal Research, investigou a influência do status de castração no desempenho olfativo de cães policiais. Os resultados demonstraram que cães intactos apresentaram desempenho olfativo significativamente superior aos castrados na detecção de narcóticos, sugerindo que a preservação hormonal pode ser relevante para funções que dependem do olfato.

    O estudo de Aikey et al. (2019), publicado na Applied Animal Behaviour Science, investigou o efeito da castração química em cães militares suíços e não encontrou evidência de efeito prejudicial na capacidade de trabalho. Entretanto, é importante notar que esse estudo envolveu castração química em animais adultos, não castração cirúrgica precoce.

    Em contraste, relatos de treinadores e profissionais que trabalham com cães de serviço indicam que a castração precoce pode resultar em redução do drive de trabalho, menor intensidade na execução de tarefas e aumento de comportamentos de ansiedade. Essas observações, embora não sistematizadas em estudos controlados, merecem consideração na tomada de decisão sobre castração em cães de trabalho.

    O estudo de Hart et al. (2016) enfatiza que Pastores Alemães são particularmente importantes em trabalhos policiais e militares, e que doenças articulares debilitantes podem encurtar a vida útil de trabalho do animal. A recomendação de postergar a castração até após um ano de idade pode reduzir marcadamente a chance de doenças articulares, preservando a capacidade operacional.

    As diretrizes da AAHA (AAHA WORKING, ASSISTANCE AND THERAPY DOG GUIDELINES, 2021) também ressaltam a importância de considerar o impacto da castração no desempenho e longevidade de cães de trabalho.

    8. Aspectos éticos e jurídicos

    A prática da castração precoce levanta questões éticas e jurídicas relevantes, particularmente no contexto do bem-estar animal e da legislação de proteção animal.

    8.1 Legislação europeia

    Em diversos países europeus, a castração sem indicação terapêutica é restrita ou regulamentada.

    O estudo de Fossati (2024), publicado no Journal of Applied Animal Welfare Science, analisou o marco legal europeu sobre leis de castração e identificou abordagens significativamente diferentes entre países:

    Alemanha: a Lei de Proteção Animal proíbe a castração, exceto por razões de saúde oucontrole populacional;

    Noruega: a castração é ilegal sem justificativa médica;

    Suécia, Finlândia e Dinamarca: políticas restritivas sobre castração eletiva.

    A Convenção Europeia para a Proteção de Animais de Estimação (EUROPEAN CONVENTION, 2025) estabelece princípios de bem-estar animal que incluem a proibição de intervenções cirúrgicas com finalidade estética ou não terapêutica, sem indicação veterinária justificada.

    A União Europeia aprovou em novembro de 2025 nova regulamentação sobre bem-estar de cães e gatos, que inclui requisitos de identificação, registro e padrões de cuidado (EUROPEAN PARLIAMENT, 2025; EUROPEAN COMMISSION, 2025). Essa abordagem diferenciada reconhece que a castração pode ser justificada para controle populacional de animais sem raça definida, mas não deve ser aplicada indiscriminadamente a todos os cães (FOUR PAWS, 2025).

    8.2 Bem-estar animal

    A castração precoce, ao interromper processos fisiológicos fundamentais do desenvolvimento, pode ser considerada uma intervenção que compromete o bem-estar do animal a longo prazo. O desenvolvimento de doenças ortopédicas, neoplasias, distúrbios urinários e obesidade representa prejuízo significativo à qualidade de vida do animal.

    O editorial de Hart e Atema (2024), publicado na Frontiers in Veterinary Science, enfatiza que a decisão sobre castração deve considerar o equilíbrio entre benefícios e riscos, sendo a abordagem individualizada fundamental para o bem-estar animal. Os autores destacam que a recomendação indiscriminada de castração precoce pode constituir violação do princípio de não-maleficência, um dos pilares da ética veterinária.

    8.3 Distinção entre cães sem raça definida e cães de raça definida

    A literatura e a legislação sugerem uma distinção importante entre cães sem raça definida e cães de raça definida:

    Cães sem raça definida: a castração pode ser indicada como medida de controle populacional, prevenção de abandono e redução de população de animais errantes. Nesses casos, os benefícios coletivos podem justificar os riscos individuais.

    Cães de raça definida: a decisão deve considerar a preservação de características genéticas, a predisposição a enfermidades específicas da raça e a finalidade do animal. A castração precoce indiscriminada pode comprometer a diversidade genética e a saúde da população da raça.

    Cães de trabalho: a manutenção da homeostase hormonal é fundamental para o desempenho de funções como faro, proteção e busca. A castração precoce pode comprometer a capacidade operacional e reduzir a vida útil de trabalho desses animais.

    9. Discussão

    A revisão crítica da literatura científica demonstra que a castração precoce constitui uma intervenção endócrina com repercussões sistêmicas potenciais significativas. Ao eliminar precocemente a produção de hormônios gonadais, interfere-se em processos fundamentais para o desenvolvimento musculoesquelético, o equilíbrio metabólico, a maturação do trato urinário e a modulação comportamental.

    Os estudos epidemiológicos de Hart et al. (2016, 2020) e Torres de la Riva et al. (2013) fornecem evidências robustas de que a castração precoce aumenta o risco de doenças ortopédicas e determinados tipos de câncer em múltiplas raças. Esses riscos não são uniformes; variam significativamente conforme a raça, o porte, o sexo e a idade do procedimento.

    A associação entre castração precoce e incontinência urinária, demonstrada em estudos do Royal Veterinary College (PEGRAM et al., 2019) e Pegram et al. (2024), representa uma complicação clinicamente relevante que pode comprometer o bem-estar do animal e a relação com o tutor. O risco de incontinência urinária deve ser explicitamente discutido na tomada de decisão sobre castração em fêmeas.

    As alterações metabólicas e a predisposição à obesidade após a castração, documentadas por Yang et al. (2023) e Bjørnvad et al. (2019), representam fatores de risco para múltiplas condições crônicas. Para cães de trabalho, o ganho de peso excessivo pode comprometer diretamente a capacidade de desempenho.

    O impacto no desempenho de cães de trabalho, sugerido pelo estudo de Abdel Fattah e Abdel-Hamid (2020) e corroborado por relatos de treinadores (LEERBURG, 2023), merece consideração especial. A preservação da capacidade olfativa e do drive de trabalho pode ser fundamental para animais que atuam em funções policiais, militares ou de busca e salvamento.

    Do ponto de vista ético-jurídico, a literatura e a legislação europeia indicam que a castração sem indicação terapêutica deve ser considerada com cautela. A distinção entre cães sem raça definida e cães de raça definida, e entre cães de companhia e cães de trabalho, deve orientar a tomada de decisão.

    Em vez de uma recomendação indiscriminada, o conjunto de evidências favorece uma abordagem centrada no risco individual, na qual se ponderem raça, porte, sexo, histórico familiar, finalidade do animal e condições de manejo. A decisão sobre o momento ideal da castração deve ser baseada em avaliação clínica individualizada e discussão explícita de riscos e benefícios.

    10. Conclusão

    A literatura científica revisada demonstra que a castração precoce pode estar associada a efeitosadversos relevantes na saúde de cães. Entre os principais riscos identificados, destacam-se:

    • aumento do risco de doenças ortopédicas, particularmente em raças de grande porte;

    • aumento da incidência de determinadas neoplasias em subgrupos específicos;

    • distúrbios urinários, especialmente incontinência urinária em fêmeas;

    • predisposição à obesidade e alterações metabólicas;

    • potencial comprometimento do desempenho em cães de trabalho.

    Diante dessas evidências, recomenda-se que a decisão sobre o momento ideal da gonadectomia seja baseada em avaliação clínica individualizada, considerando raça, porte, sexo, finalidade do animal e predisposição a enfermidades específicas.

    Para cães sem raça definida, a castração pode ser indicada como medida de controle populacional. Para cães de raça definida, a decisão deve considerar a preservação da saúde da população da raça. Para cães de trabalho, como Pastores Alemães e Belgian Malinois, a manutenção da homeostase hormonal deve ser priorizada para preservar o desempenho operacional.

    A aplicação indiscriminada de protocolos uniformes de castração em idade muito precoce deve ser evitada, sendo fundamental a discussão explícita de riscos e benefícios com os tutores.

    REFERÊNCIAS

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    PETCLUBE – SCIENCE, GENETICS AND ANIMAL WELFARE

    HARMFUL EFFECTS OF EARLY NEUTERING IN

    DOGS:

    a critical review of scientific literature

    Critical review article on the impacts of early gonadectomy on canine health and welfare.

    May 3, 2026 | Version 1.0 | Prepared for publication

    AUTHORS:Dr. Cláudio Amichetti Júnior¹,²; Dr. Gabriel Amichetti³

    ¹ Integrative Veterinarian – CRMV-SP 75.404 VT; MAPA 00129461/2025; CREA 060149829-SP

    (Agr. Eng.). Specialist in Feline and Canine Nutrition, Cannabinoid Medicine and Natural Feeding,

    Petclube.

    ² Petclube, São Paulo, Brazil.

    ³ Veterinarian – CRMV-SP 45.592 VT. Specialization in Orthopedics and Small Animal Surgery –

    Clínica 3RD, Vila Zelina, São Paulo, Brazil.

    Corresponding author:Cláudio Amichetti Júnior. E-mail: dr.claudio.amichetti@gmail.com

    Conflict of interest:The authors declare no conflict of interest.

    Journal:Petclube – Science, Genetics and Animal Welfare.

    Abstract

    Gonadectomy is one of the most common surgical procedures in small animal veterinary medicine,

    often recommended for population control and prevention of reproductive diseases. In recent

    decades, the practice of early neutering, performed before sexual maturity, has become

    widespread. However, accumulated scientific evidence indicates that early removal of gonads can

    significantly interfere with canine developmental physiology, increasing the risk of orthopedic

    diseases, neoplasias, urinary disorders, and metabolic alterations. Recent studies show that these

    adverse effects vary significantly according to breed, size, and purpose of the animal, being

    particularly concerning in purebred dogs and working dogs. This paper presents a critical review of

    the scientific literature on the adverse effects of early neutering in dogs, discussing proposed

    physiological mechanisms, clinical implications, and ethical-legal aspects related to animal welfare.

    Keywords: gonadectomy; early neutering; dogs; veterinary orthopedics; neoplasias; animal

    welfare; working dogs.

    1. Introduction

    Surgical sterilization through gonadectomy is widely used in veterinary medicine as a strategy for

    population control and prevention of reproductive diseases in dogs. Ovariohysterectomy in females

    and orchiectomy in males are considered routine procedures in clinical practice, especially in

    countries such as the United States, United Kingdom, and Brazil.

    In recent decades, recommendations for neutering at increasingly younger ages — often before sixmonths — have been incorporated into population control programs and animal adoption

    campaigns. This practice, although widespread, has been progressively questioned in the scientific

    literature, especially when applied homogeneously, without stratification by breed, size, sex, and

    individual risk.

    The removal of gonads before sexual maturity prematurely interrupts the production of sex

    steroids, hormones that play a central role in growth, tissue maturation, and the regulation of

    multiple physiological axes. Thus, early neutering should be understood not only as a reproductive

    intervention but as an endocrine intervention with the potential for negative systemic repercussions.

    Recent scientific evidence links early gonadectomy to significant alterations in bone growth,

    musculoskeletal system maturation, energy metabolism, and urinary tract development.

    Large-scale epidemiological studies, such as those conducted by the University of California at

    Davis, have shown that early neutering can increase the risk of orthopedic diseases and certain

    types of cancer by up to three times in some breeds (HART et al., 2016; TORRES DE LA RIVA et

    al., 2013).

    In addition to clinical implications, the practice of early neutering raises relevant ethical and legal

    questions. In several European countries, such as Germany and Norway, neutering without

    therapeutic indication is restricted or prohibited by animal protection legislation, being considered

    an unnecessary intervention that can compromise animal welfare (FOSSATI, 2024; EUROPEAN

    CONVENTION, 2025).

    The distinction between mixed-breed dogs and purebred dogs takes on particular importance in

    this discussion. While neutering of mixed-breed dogs may be justified as a measure of population

    control and prevention of abandonment, in purebred dogs the decision must consider the

    preservation of genetic characteristics and the predisposition to specific breed diseases. In working

    dogs, such as German Shepherds and Belgian Malinois, maintaining hormonal homeostasis is

    fundamental for performance in functions such as scent detection, protection, and search, making

    early neutering particularly inadvisable.

    Given this context, the present work aims to conduct a critical review of the scientific literature on

    the main adverse effects associated with early neutering in dogs, emphasizing physiological

    mechanisms, clinical implications, ethical-legal aspects, and differentiated recommendations

    according to the animal's purpose.

    2. Hormonal physiology and development

    Gonadal sex hormones play essential roles in regulating the growth and development of the canine

    organism. Testosterone and estrogens participate, directly or indirectly, in fundamental

    physiological processes, including:

    • epiphyseal plate closure;

    • musculoskeletal system development and maintenance;

    • preservation of muscle mass;alters expected physiological developmental trajectories. A consistently reported finding in the

    literature is the delayed closure of epiphyseal plates, resulting in prolonged growth of long bones

    and altered joint biomechanics (HART et al., 2016; VETFOLIO, 2020).

    Testosterone, in particular, plays a crucial role in muscle development, bone density, and agility —

    essential attributes for working dogs. Studies indicate that the premature removal of this hormonal

    source can compromise performance capacity in activities requiring strength, endurance, and

    motor coordination (LEERBURG, 2023; BOWMAN REPORT, 2022).

    Furthermore, sex hormones participate in the modulation of the central nervous system,

    influencing behaviors related to attention, focus, and motivation — critical characteristics for

    working dogs in scent detection, protection, and search activities. The premature interruption of

    hormone production can, therefore, compromise not only physical development but also the

    behavioral profile necessary for these functions.

    3. Orthopedic alterations associated with early neutering

    Robust epidemiological studies show that dogs subjected to early neutering have a higher

    incidence of orthopedic diseases throughout their lives. Among the most frequently associated

    conditions are:

    • hip dysplasia;

    • elbow dysplasia;

    • cranial cruciate ligament rupture;

    • intervertebral disc disease.

    The seminal study by Hart et al. (2016), published in Veterinary Medicine and Science, analyzed

    1,170 German Shepherds and showed that neutering before 12 months of age tripled the risk of

    one or more joint disorders. Early neutered males had an incidence of 21% orthopedic diseases,

    compared to 7% in intact males. Females neutered before one year had an incidence of 16%,

    compared to 5% in intact females.

    The study by Torres de la Riva et al. (2013), published in PLOS ONE, analyzed 759 Golden

    Retrievers and showed that neutering before 12 months of age significantly increased the risk

    of hip dysplasia and cranial cruciate ligament rupture. Early neutered males had a three

    times higher risk of cruciate ligament rupture compared to intact males.

    Hart et al. (2020) extended this analysis to 35 breeds and mixed-breed dogs, confirming that the

    risk of orthopedic diseases associated with early neutering varies according to breed and size. In

    large breeds, such as Golden Retrievers, Labrador Retrievers, and German Shepherds, the risks

    are particularly high. In contrast, in small breeds, orthopedic risks are less pronounced.

    These alterations are related to the interference of early gonadectomy with epiphyseal plateclosure and musculoskeletal system development. Prolonged growth of long bones alters joint

    biomechanics, increasing the load on structures such as the cranial cruciate ligament and the hip

    joint.

    For working dogs, such as German Shepherds and Belgian Malinois, these orthopedic alterations

    have particularly serious implications. These animals often perform activities requiring agility,

    jumping, and running, and the integrity of the musculoskeletal system is fundamental for their

    performance. Early neutering can, therefore, compromise the operational capacity of these animals

    and reduce their working lifespan.

    Disease

    Possible Mechanism

    Clinical Impact

    Relevance for

    Working Dogs

    Hip Dysplasia

    Altered bone growth

    and joint maturation

    Chronic pain and

    osteoarthritis

    Compromised mobility

    and performance

    Cranial Cruciate

    Ligament Rupture

    Altered joint

    biomechanics;

    increased knee load

    Joint instability and

    lameness

    Temporary or

    permanent removal

    from work

    Elbow Dysplasia

    Abnormal bone

    development and joint

    incongruity

    Lameness and

    progression to

    arthrosis

    Reduced functional

    capacity

    Intervertebral Disc

    Disease

    Structural alterations

    and mechanical

    predisposition

    Pain and possible

    neurological deficit

    Risk of early retirement

     

    Source: self-elaboration, based on Hart et al. (2016, 2020), Torres de la Riva et al. (2013) and

    reviewed literature.

    Note: associations vary according to breed, size, sex, age at gonadectomy, and confounding

    factors.

    4. Urinary system alterations

    Early neutering has been consistently associated with alterations in the development of the

    genitourinary system, impacting anatomy and function. Reported effects include:

    • urinary incontinence in female dogs;

    • insufficient vulvar development;

    • alterations in urethral sphincter tone;

    • anatomical immaturity of the urinary tract.is directly associated with the risk of early-onset urinary incontinence. Female dogs neutered

    before six months had a 1.82 times higher risk of developing urinary incontinence compared to

    female dogs neutered after this age.

    The study by Pegram et al. (2024), published in Veterinary Record, confirmed that neutering at an

    older age results in a lower risk of early-onset urinary incontinence. The authors estimate that

    urinary incontinence can affect up to 20% of spayed female dogs, developing on average 2.9

    years after the procedure.

    Post-neutering urinary incontinence is a clinically relevant complication because it can appear late,

    years after the procedure, with repercussions on the animal's welfare and the owner's

    management. From a critical perspective, the occurrence and severity of the problem are not

    homogeneous; the literature suggests variability by size and individual factors, reinforcing the need

    for individualized conduct and clear advice on risk-benefit when neutering is proposed at very early

    ages.

    5. Metabolic alterations and obesity

    Gonadectomy is associated with significant changes in energy metabolism and eating behavior.

    Studies show that after neutering, the following occur:

    • reduction in basal metabolism;

    • increased appetite;

    • greater predisposition to weight gain.

    The study by Yang et al. (2023), published in Animals, observed an obesity rate of 60% at 21

    months after neutering, demonstrating the significant metabolic impact of the procedure. The

    study by Bjørnvad et al. (2019), published in Preventive Veterinary Medicine, confirmed that

    neutering increases the risk of obesity in male dogs, although the effect is less consistent in

    females.

    Obesity, in turn, acts as an aggravating factor for various chronic conditions, including exercise

    intolerance, osteoarticular alterations, diabetes mellitus, and increased cardiometabolic risk. For

    working dogs, excessive weight gain can directly compromise performance capacity, reducing

    agility, endurance, and efficiency in operational activities.

    From a critical perspective, obesity should not be attributed exclusively to the procedure: diet,

    physical activity, and management are central determinants. Still, early neutering can increase

    metabolic vulnerability during a period when the animal is still growing, making nutritional control

    and owner guidance even more crucial.6. Association with neoplasias

    Part of the epidemiological literature investigates the relationship between early neutering and the

    development of neoplasias in dogs. Observational studies identify an increased incidence of

    certain tumors in subgroups of early neutered animals, including:

    • osteosarcoma;

    • hemangiosarcoma;

    • lymphoma;

    • mastocytoma.

    The study by Torres de la Riva et al. (2013) showed that neutered Golden Retrievers had a

    significantly increased risk of hemangiosarcoma and lymphosarcoma compared to intact animals.

    Spayed females had a more than four times higher risk of cardiac hemangiosarcoma

    compared to intact females.

    Hart et al. (2020) confirmed these findings in multiple breeds, showing that the risk of neoplasias

    associated with neutering varies according to breed, sex, and age of the procedure. In some

    breeds, such as Golden Retrievers and German Shepherds, the cancer risks associated with early

    neutering are particularly high.

    The study by Cooley et al. (2002), published in Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention,

    showed that neutering doubles the risk of osteosarcoma in large breeds. Proposed mechanisms

    include the participation of sex hormones in modulating cell regulation pathways and maintaining

    bone density.

    The proposed mechanisms are not yet fully elucidated. Hypotheses include the participation of sex

    hormones in modulating cell regulation pathways and immunomodulation, as well as indirect

    effects mediated by body composition and metabolism.

    In critical terms, it is essential to recognize that population associations do not, by themselves,

    equate to individual causality, and that risks vary between breeds and sizes. Still, when there are

    consistent signs of increased risk in specific groups, the uniform recommendation of neutering at a

    very young age becomes scientifically fragile and potentially harmful.

    7. Behavioral impact and working dog performance

    Early neutering can interfere with the behavior and performance of working dogs, although the

    literature presents varied results. Studies indicate that the removal of sex hormones can affect:

    • motivation and work drive;

    • ability to focus and pay attention;

    • aggression directed at work (protection);

    • confidence and emotional stability.

    For working dogs such as German Shepherds and Belgian Malinois maintaining hormonalhomeostasis is often considered fundamental for performance in functions such as scent detection,

    protection, and search. Breeders and trainers of these breeds often recommend avoiding early

    neutering to preserve the behavioral characteristics necessary for work (LEERBURG, 2023;

    EUROPEAN BELGIAN MALINOIS, 2024).

    The study by Abdel Fattah and Abdel-Hamid (2020), published in the Journal of Advanced

    Veterinary and Animal Research, investigated the influence of neuter status on the olfactory

    performance of police dogs. The results showed that intact dogs had significantly superior olfactory

    performance to neutered dogs in narcotic detection, suggesting that hormonal preservation may be

    relevant for functions that depend on olfaction.

    The study by Aikey et al. (2019), published in Applied Animal Behaviour Science, investigated the

    effect of chemical castration in Swiss military dogs and found no evidence of a detrimental effect

    on working ability. However, it is important to note that this study involved chemical castration in

    adult animals, not early surgical neutering.

    In contrast, reports from trainers and professionals working with service dogs indicate that early

    neutering can result in reduced work drive, lower intensity in task execution, and increased anxiety

    behaviors. These observations, although not systematized in controlled studies, deserve

    consideration in decision-making regarding neutering in working dogs.

    The study by Hart et al. (2016) emphasizes that German Shepherds are particularly important in

    police and military work, and that debilitating joint diseases can shorten the animal's working life.

    The recommendation to postpone neutering until after one year of age can markedly reduce the

    chance of joint diseases, preserving operational capacity. The AAHA guidelines (AAHA

    WORKING, ASSISTANCE AND THERAPY DOG GUIDELINES, 2021) also highlight the

    importance of considering the impact of neutering on the performance and longevity of working

    dogs.

    8. Ethical and legal aspects

    The practice of early neutering raises relevant ethical and legal questions, particularly in the

    context of animal welfare and animal protection legislation.

    #### 8.1 European legislation

    In several European countries, neutering without therapeutic indication is restricted or regulated.

    The study by Fossati (2024), published in the Journal of Applied Animal Welfare Science, analyzed

    the European legal framework on neutering laws and identified significantly different approaches

    between countries:

    Germany: the Animal Protection Act prohibits neutering, except for health reasons or populationcontrol;

    Norway: neutering is illegal without medical justification;

    Sweden, Finland, and Denmark: restrictive policies on elective neutering.

    The European Convention for the Protection of Pet Animals (EUROPEAN CONVENTION, 2025)

    establishes animal welfare principles that include the prohibition of surgical interventions for

    aesthetic or non-therapeutic purposes, without justified veterinary indication.

    The European Union approved new regulations on dog and cat welfare in November 2025, which

    include identification, registration, and care standards (EUROPEAN PARLIAMENT, 2025;

    EUROPEAN COMMISSION, 2025). This differentiated approach recognizes that neutering may be

    justified for population control of mixed-breed animals but should not be indiscriminately applied to

    all dogs (FOUR PAWS, 2025).

    #### 8.2 Animal welfare

    Early neutering, by interrupting fundamental physiological developmental processes, can be

    considered an intervention that compromises the animal's long-term welfare. The development of

    orthopedic diseases, neoplasias, urinary disorders, and obesity represents a significant detriment

    to the animal's quality of life.

    The editorial by Hart and Atema (2024), published in Frontiers in Veterinary Science, emphasizes

    that the decision regarding neutering must consider the balance between benefits and risks, with

    an individualized approach being fundamental for animal welfare. The authors highlight that the

    indiscriminate recommendation of early neutering may constitute a violation of the principle of

    non-maleficence, one of the pillars of veterinary ethics.

    #### 8.3 Distinction between mixed-breed dogs and purebred dogs

    The literature and legislation suggest an important distinction between mixed-breed dogs and

    purebred dogs:

    Mixed-breed dogs: neutering may be indicated as a measure of population control, prevention of

    abandonment, and reduction of stray animal populations. In these cases, the collective benefits

    may justify the individual risks.

    Purebred dogs: the decision must consider the preservation of genetic characteristics, the

    predisposition to specific breed diseases, and the animal's purpose. Indiscriminate early neutering

    can compromise genetic diversity and the health of the breed population.

    Working dogs: maintaining hormonal homeostasis is fundamental for performance in functions

    such as scent detection, protection, and search. Early neutering can compromise operational

    capacity and reduce the working lifespan of these animals.9. Discussion

    The critical review of the scientific literature demonstrates that early neutering constitutes an

    endocrine intervention with significant potential systemic repercussions. By prematurely eliminating

    gonadal hormone production, fundamental processes for musculoskeletal development, metabolic

    balance, urinary tract maturation, and behavioral modulation are interfered with.

    The epidemiological studies by Hart et al. (2016, 2020) and Torres de la Riva et al. (2013) provide

    robust evidence that early neutering increases the risk of orthopedic diseases and certain types of

    cancer in multiple breeds. These risks are not uniform; they vary significantly according to breed,

    size, sex, and age of the procedure.

    The association between early neutering and urinary incontinence, demonstrated in studies by the

    Royal Veterinary College (PEGRAM et al., 2019) and Pegram et al. (2024), represents a clinically

    relevant complication that can compromise the animal's welfare and the relationship with the

    owner. The risk of urinary incontinence should be explicitly discussed in decision-making regarding

    neutering in females.

    Metabolic alterations and the predisposition to obesity after neutering, documented by Yang et al.

    (2023) and Bjørnvad et al. (2019), represent risk factors for multiple chronic conditions. For

    working dogs, excessive weight gain can directly compromise performance capacity.

    The impact on working dog performance, suggested by the study by Abdel Fattah and

    Abdel-Hamid (2020) and corroborated by trainer reports (LEERBURG, 2023), deserves special

    consideration. The preservation of olfactory capacity and work drive can be fundamental for

    animals performing police, military, or search and rescue functions.

    From an ethical-legal perspective, the literature and European legislation indicate that neutering

    without therapeutic indication should be considered with caution. The distinction between

    mixed-breed dogs and purebred dogs, and between companion dogs and working dogs, should

    guide decision-making.

    Instead of an indiscriminate recommendation, the body of evidence favors an individualized

    approach, considering breed, size, sex, family history, animal purpose, and management

    conditions. The decision regarding the optimal time for neutering should be based on an

    individualized clinical evaluation and explicit discussion of risks and benefits.

    10. Conclusion

    The reviewed scientific literature demonstrates that early neutering can be associated with relevant

    adverse effects on dog health. Among the main identified risks are:

    • increased risk of orthopedic diseases, particularly in large breeds;

    • increased incidence of certain neoplasias in specific subgroups;

    • urinary disorders, especially urinary incontinence in females;

    • predisposition to obesity and metabolic alterations;gonadectomy be based on an individualized clinical evaluation, considering breed, size, sex,

    animal purpose, and predisposition to specific diseases.

    For mixed-breed dogs, neutering may be indicated as a measure of population control. For

    purebred dogs, the decision should consider the preservation of the breed population's health. For

    working dogs, such as German Shepherds and Belgian Malinois, maintaining hormonal

    homeostasis should be prioritized to preserve operational performance.

    The indiscriminate application of uniform early neutering protocols should be avoided, and an

    explicit discussion of risks and benefits with owners is fundamental.

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  • REPOSICIONAMENTO FARMACOLÓGICO NA ONCOLOGIA VETERINÁRIA: AVALIAÇÃO CRÍTICA DO USO DE IVERMECTINA E FENBENDAZOL COMO AGENTES ANTINEOPLÁSICOS

    REPOSICIONAMENTO FARMACOLÓGICO NA ONCOLOGIA VETERINÁRIA: AVALIAÇÃO CRÍTICA DO USO DE IVERMECTINA E FENBENDAZOL COMO AGENTES ANTINEOPLÁSICOS

    Artigo científico submetido para publicação em periódico especializado.

    26 de março de 2026


     

    REPOSICIONAMENTO FARMACOLÓGICO NA ONCOLOGIA VETERINÁRIA: AVALIAÇÃO CRÍTICA DO USO DE IVERMECTINA E FENBENDAZOL COMO AGENTES ANTINEOPLÁSICOS

    Dr. Cláudio Amichetti Júnior1


    Dr. Gabriel Amichetti1

    1Petclube, São Paulo, Brasil.


    CRMV-SP 75.404 VT, MAPA 00129461/2025, CREA 060149829-SP (Dr. Cláudio Amichetti Júnior)


    CRMV-SP 45.592 VT (Dr. Gabriel Amichetti)

    São Paulo


    2026


     

    RESUMO

    O reposicionamento de fármacos (drug repurposing) tem emergido como uma estratégia promissora na oncologia veterinária, buscando otimizar recursos e acelerar a disponibilidade de novas opções terapêuticas. Entre os compostos que têm atraído atenção para essa finalidade, destacam-se a ivermectina e o fenbendazol, tradicionalmente empregados como antiparasitários. Este artigo apresenta uma revisão crítica da literatura científica disponível, avaliando o potencial antineoplásico dessas substâncias em modelos experimentais e sua aplicabilidade clínica em cães e gatos. Embora estudos pré-clínicos *in vitro* e *in vivo* em modelos animais demonstrem atividade citotóxica, indução de apoptose e modulação de vias de sinalização celular em diversas linhagens tumorais, a translação desses achados para a prática clínica veterinária carece de comprovação robusta. A ausência de ensaios clínicos randomizados e controlados, a inconsistência de relatos anedóticos e as limitações farmacocinéticas e de toxicidade em doses eficazes representam barreiras significativas. Conclui-se que, apesar do interesse, a ivermectina e o fenbendazol permanecem como agentes experimentais na oncologia veterinária, não devendo substituir os protocolos oncológicos estabelecidos e baseados em evidências. A utilização dessas substâncias fora de um contexto de pesquisa rigorosa pode comprometer o bem-estar animal e a eficácia do tratamento.

    Palavras-chave: Oncologia veterinária; Reposicionamento de fármacos; Ivermectina; Fenbendazol; Neoplasias.

    ABSTRACT

    Drug repurposing has emerged as a promising strategy in veterinary oncology, aiming to optimize resources and accelerate the availability of new therapeutic options. Among the compounds that have attracted attention for this purpose are ivermectin and fenbendazole, traditionally used as antiparasitics. This article presents a critical review of the available scientific literature, evaluating the antineoplastic potential of these substances in experimental models and their clinical applicability in dogs and cats. Although preclinical *in vitro* and *in vivo* studies in animal models demonstrate cytotoxic activity, apoptosis induction, and modulation of cellular signaling pathways in various tumor cell lines, the translation of these findings to veterinary clinical practice lacks robust evidence. The absence of randomized controlled clinical trials, the inconsistency of anecdotal reports, and pharmacokinetic and toxicity limitations at effective doses represent significant barriers. It is concluded that, despite the interest, ivermectin and fenbendazole remain experimental agents in veterinary oncology and should not replace established, evidence-based oncological protocols. The use of these substances outside a rigorous research context may compromise animal welfare and treatment efficacy.

    Keywords: Veterinary oncology; Drug repurposing; Ivermectin; Fenbendazole; Neoplasms.


     

    SUMÁRIO

    1 INTRODUÇÃO


    2 METODOLOGIA


    3 RESULTADOS E DISCUSSÃO


        3.1 Ivermectina: mecanismos e evidência científica


        3.2 Fenbendazol: ação sobre microtúbulos e evidência científica


        3.3 Evidência clínica: lacunas críticas e o desafio translacional


        3.4 Implicações na prática veterinária


    4 CONSIDERAÇÕES ÉTICAS E REGULATÓRIAS


    5 CONCLUSÃO


    REFERÊNCIAS


     1 INTRODUÇÃO

    A oncologia veterinária representa uma área de crescente importância na medicina de pequenos animais, impulsionada pelo aumento da expectativa de vida de cães e gatos e pela sofisticação dos métodos diagnósticos. Neoplasias são uma das principais causas de morbidade e mortalidade em animais de companhia, com uma prevalência significativa em diversas raças e idades. Em cães, tumores como o linfoma, o osteossarcoma, o mastocitoma e o carcinoma mamário são frequentemente diagnosticados, enquanto em gatos, o linfoma, o carcinoma de células escamosas e os fibrossarcomas pós-injeção são particularmente relevantes. O tratamento dessas condições, muitas vezes, envolve abordagens multimodais que incluem cirurgia, quimioterapia, radioterapia e terapias-alvo, as quais, embora eficazes, podem ser de alto custo e nem sempre acessíveis a todos os tutores. Essa realidade impõe desafios econômicos e de acesso a tratamentos de ponta, motivando a busca por alternativas terapêuticas que sejam eficazes, seguras e financeiramente viáveis.

    Nesse cenário, o conceito de reposicionamento de fármacos, ou *drug repurposing*, tem ganhado destaque. Essa estratégia consiste em investigar novas indicações terapêuticas para medicamentos já aprovados e comercializados para outras condições. As vantagens inerentes a essa abordagem são múltiplas: o perfil de segurança e farmacocinética dos fármacos já é amplamente conhecido, o que reduz significativamente o tempo e os custos associados às fases iniciais de pesquisa e desenvolvimento, além de acelerar a potencial disponibilidade clínica. Historicamente, diversos medicamentos foram reposicionados com sucesso, como o sildenafil (originalmente para angina, reposicionado para disfunção erétil) e a talidomida (originalmente sedativo, reposicionada para mieloma múltiplo). Na oncologia, essa estratégia é particularmente atraente, pois permite explorar um vasto arsenal de compostos com potencial antitumoral que, de outra forma, levariam décadas para serem desenvolvidos do zero.

    Entre os fármacos que têm sido objeto de intenso interesse para reposicionamento na oncologia, a ivermectina e o fenbendazol se destacam. Ambos são antiparasitários de amplo espectro, com décadas de uso seguro e eficaz em medicina veterinária e humana. A ivermectina, um derivado da avermectina, é amplamente utilizada no controle de endo e ectoparasitas, enquanto o fenbendazol, um benzimidazol, é um anti-helmíntico comum. A notoriedade dessas substâncias como potenciais agentes antineoplásicos emergiu de estudos pré-clínicos promissores e, mais recentemente, de relatos anedóticos e informações disseminadas em plataformas digitais, muitas vezes sem o devido rigor científico. Esses relatos, embora compreensíveis pela busca desesperada por curas em casos de câncer avançado, criam um ambiente propício para a desinformação e a adoção de práticas clínicas não validadas.

    A crescente popularidade da ivermectina e do fenbendazol como "alternativas" ou "complementos" no tratamento do câncer em animais de companhia levanta sérias preocupações na comunidade veterinária. A ausência de evidências clínicas robustas e a falta de protocolos padronizados para seu uso em pacientes oncológicos podem levar a atrasos no início de terapias comprovadamente eficazes, progressão da doença, sofrimento desnecessário e, em alguns casos, toxicidade. A prática da medicina veterinária integrativa, que busca combinar terapias convencionais com abordagens complementares, exige que todas as intervenções sejam baseadas em evidências científicas sólidas. Portanto, uma análise crítica e aprofundada da literatura científica disponível sobre o potencial antineoplásico da ivermectina e do fenbendazol é imperativa para orientar a tomada de decisão clínica e salvaguardar o bem-estar dos pacientes.

    Este artigo tem como objetivo realizar uma avaliação crítica e abrangente do estado atual do conhecimento sobre o reposicionamento da ivermectina e do fenbendazol na oncologia veterinária. Serão explorados os mecanismos de ação propostos, as evidências obtidas em modelos pré-clínicos (in vitro e in vivo), as lacunas na evidência clínica e as implicações práticas para a medicina veterinária. A intenção é fornecer uma base informada para médicos veterinários, pesquisadores e tutores de animais, distinguindo o potencial promissor da pesquisa experimental das limitações e riscos da aplicação clínica não validada. A compreensão clara dessas distinções é fundamental para promover uma abordagem ética e baseada em evidências no manejo do paciente oncológico veterinário, garantindo que as decisões terapêuticas sejam tomadas com o máximo de rigor científico e em benefício do animal.

    A relevância deste estudo se acentua diante da proliferação de informações não verificadas em mídias sociais e fóruns online, que frequentemente promovem o uso desses antiparasitários como "curas milagrosas" para o câncer. Tal cenário exige que a comunidade científica e profissional se posicione de forma clara e embasada, oferecendo diretrizes que protejam os animais de tratamentos ineficazes ou potencialmente prejudiciais. A análise aqui apresentada visa contribuir para a construção de um conhecimento sólido e responsável, essencial para o avanço da oncologia veterinária e para a promoção do bem-estar animal.

    A complexidade do microambiente tumoral, a heterogeneidade das neoplasias e as particularidades fisiológicas de cada espécie animal tornam a translação de achados pré-clínicos um desafio considerável. Mesmo fármacos com forte atividade *in vitro* podem falhar em demonstrar eficácia *in vivo* devido a fatores como biodisponibilidade, metabolismo, toxicidade em doses terapêuticas e resistência tumoral. Portanto, a cautela é a palavra-chave ao considerar o reposicionamento de qualquer fármaco, especialmente em um campo tão sensível quanto a oncologia. Este artigo busca fornecer essa perspectiva equilibrada, reconhecendo o potencial da pesquisa, mas enfatizando a necessidade de rigor científico antes da adoção clínica.

    A discussão sobre ivermectina e fenbendazol na oncologia veterinária não se limita apenas à sua eficácia, mas também abrange questões éticas e regulatórias. A administração de medicamentos *off-label* sem base científica sólida pode configurar má prática profissional e comprometer a relação de confiança entre o médico veterinário e o tutor. Além disso, a esperança gerada por informações não comprovadas pode levar tutores a investir recursos financeiros e emocionais em tratamentos sem benefício real, desviando-os de terapias convencionais que poderiam oferecer melhores prognósticos. Assim, a presente revisão se propõe a ser um recurso valioso para a comunidade veterinária, consolidando as informações mais recentes e fornecendo uma análise crítica indispensável para a prática clínica responsável.

    Em suma, a oncologia veterinária está em constante evolução, e o reposicionamento de fármacos oferece um caminho promissor para expandir o arsenal terapêutico. Contudo, a transição do laboratório para a clínica deve ser pautada por um rigor científico inquestionável. Este artigo visa preencher uma lacuna na literatura ao fornecer uma análise crítica e atualizada sobre a ivermectina e o fenbendazol, contribuindo para uma prática veterinária mais informada e ética no tratamento do câncer em cães e gatos.

    2 METODOLOGIA

    Foi realizada uma revisão narrativa sistematizada da literatura, adaptando princípios do protocolo PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses) para garantir uma abordagem abrangente e transparente na seleção e análise dos estudos. A busca bibliográfica foi conduzida nas bases de dados eletrônicas PubMed, Scopus, Web of Science e Google Scholar, abrangendo o período de janeiro de 2015 a março de 2026. Os termos de busca utilizados, em português e inglês, incluíram combinações de "oncologia veterinária", "drug repurposing", "reposicionamento de fármacos", "ivermectina", "fenbendazol", "antineoplásico", "câncer", "neoplasias", "cães", "gatos", "canine", "feline", "ivermectin", "fenbendazole", "anticancer", "neoplasms", "preclinical", "clinical trials", "mechanisms".

    Os critérios de inclusão para a seleção dos artigos foram:


    • Estudos *in vitro* que investigaram os efeitos da ivermectina e/ou fenbendazol em linhagens celulares tumorais.
    • Estudos *in vivo* utilizando modelos animais (roedores, cães, gatos) para avaliar a eficácia antineoplásica e a toxicidade dessas substâncias.
    • Revisões sistemáticas, meta-análises e artigos de revisão que abordassem o tema do reposicionamento de fármacos na oncologia, com foco em ivermectina e fenbendazol.
    • Estudos relevantes em oncologia humana que pudessem fornecer *insights* sobre mecanismos de ação ou toxicidade, dada a escassez de estudos clínicos veterinários.
    • Artigos publicados em periódicos com revisão por pares.

    Foram excluídos da análise:


    • Relatos puramente anedóticos, sem metodologia científica descrita ou sem revisão por pares.
    • Artigos de opinião ou editoriais que não apresentassem dados originais ou revisão sistemática.
    • Estudos que não estivessem disponíveis em texto completo ou em idiomas português ou inglês.

    A seleção dos artigos foi realizada em duas etapas: inicialmente, a triagem de títulos e resumos para identificar estudos potencialmente relevantes; em seguida, a leitura completa dos artigos selecionados para verificar a elegibilidade e extrair os dados pertinentes. A análise dos dados focou nos mecanismos de ação propostos, nos resultados de eficácia e toxicidade em diferentes modelos, nas limitações metodológicas dos estudos e nas implicações para a prática clínica veterinária. A síntese das informações foi organizada de forma a permitir uma avaliação crítica do corpo de evidências existente, destacando as lacunas de conhecimento e as necessidades de pesquisa futura.

    3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

    A investigação do reposicionamento de fármacos na oncologia veterinária tem revelado um cenário complexo, onde o entusiasmo inicial gerado por achados pré-clínicos promissores frequentemente se choca com a ausência de evidências clínicas robustas. A ivermectina e o fenbendazol exemplificam essa dicotomia, apresentando mecanismos de ação biologicamente plausíveis e resultados *in vitro* e em modelos animais que sugerem potencial antineoplásico, mas com uma translação limitada para a prática clínica.


    3.1 Ivermectina: mecanismos e evidência científica

    A ivermectina, um lactona macrocíclica, é conhecida por sua ação antiparasitária através da ligação a canais de cloreto controlados por glutamato em invertebrados. No entanto, em células de mamíferos, estudos têm demonstrado que a ivermectina pode exercer efeitos antineoplásicos por múltiplos mecanismos. Um dos principais alvos identificados é a via de sinalização PI3K/AKT/mTOR, crucial para a proliferação, sobrevivência e crescimento celular. A ivermectina tem sido mostrada como inibidora dessa via, resultando na supressão do crescimento tumoral e na indução de apoptose em diversas linhagens celulares (JIMÉNEZ-GAONA et al., 2025). Além disso, a ivermectina pode modular a via Wnt/β-catenina, que desempenha um papel fundamental na oncogênese, especialmente em tumores colorretais e mamários, ao inibir a translocação nuclear da β-catenina e, consequentemente, a expressão de genes pró-tumorais (JUAREZ et al., 2025).

    A indução de apoptose é outro mecanismo bem documentado, frequentemente mediado pela ativação de caspases e pela desregulação da função mitocondrial. A ivermectina pode aumentar a permeabilidade da membrana mitocondrial, liberando citocromo c e ativando a cascata de caspases, levando à morte celular programada. Mais recentemente, estudos têm explorado seu potencial imunomodulador, incluindo a capacidade de inibir a expressão de PD-L1 (ligante de morte programada 1) em células tumorais, o que poderia sensibilizar os tumores à imunoterapia (QIU et al., 2025). Essa capacidade de modular o microambiente tumoral e as vias de *checkpoint* imunológico adiciona uma camada de complexidade e interesse ao seu perfil antineoplásico.

    Em termos de evidências pré-clínicas, a ivermectina demonstrou atividade em uma variedade de cânceres, incluindo câncer de mama, gliomas, leucemias e tumores colorretais. Um estudo notável de Qiu et al. (2025) investigou a combinação de ivermectina e metformina em células de câncer de mama canino, revelando um efeito sinérgico na inibição da proliferação celular e na indução de apoptose. Essa pesquisa sugere que a ivermectina pode ser particularmente eficaz em combinação com outros agentes, explorando diferentes vias de sinalização. A revisão de Jiménez-Gaona et al. (2025) reforça o potencial geral da ivermectina como agente antineoplásico, destacando sua capacidade de atingir múltiplas vias oncogênicas. No contexto veterinário-específico, modelos *in vivo* em cães com tumores mamários e gliomas têm mostrado alguma redução no crescimento tumoral, mas frequentemente em doses que se aproximam ou excedem os limites de toxicidade, especialmente em raças sensíveis como os Collies, devido a mutações no gene MDR1 (BITENCOURT et al., 2025).


    3.2 Fenbendazol: ação sobre microtúbulos e evidência científica

    O fenbendazol, um anti-helmíntico da classe dos benzimidazóis, compartilha um mecanismo de ação antineoplásico com quimioterápicos clássicos como a vincristina e o paclitaxel: a despolimerização dos microtúbulos. Os microtúbulos são componentes essenciais do citoesqueleto celular, desempenhando papéis críticos na divisão celular (formação do fuso mitótico), transporte intracelular e manutenção da forma celular. O fenbendazol liga-se seletivamente à tubulina beta, impedindo a polimerização dos microtúbulos e, consequentemente, bloqueando a mitose na metáfase. Essa interrupção do ciclo celular leva à indução de apoptose em células tumorais (DOGRA; KUMAR, 2025).

    Além da sua ação sobre os microtúbulos, o fenbendazol tem sido associado à ativação da proteína p53, um supressor tumoral chave, e à inibição da glicólise aeróbica (efeito Warburg), um processo metabólico preferencialmente utilizado por muitas células cancerosas para gerar energia. Ao interferir no metabolismo energético tumoral, o fenbendazol pode privar as células cancerosas de recursos essenciais para seu crescimento e proliferação (NGUYEN et al., 2024). Esses múltiplos mecanismos de ação sugerem um perfil antineoplásico promissor.

    Estudos *in vitro* e *in vivo* têm demonstrado a eficácia do fenbendazol. Nguyen et al. (2024) revisaram o potencial do fenbendazol como terapia oral para o câncer em humanos e animais, destacando sua baixa toxicidade e boa biodisponibilidade em alguns modelos. Em modelos animais, incluindo cães com tumores espontâneos, o fenbendazol demonstrou capacidade de reduzir o crescimento tumoral e induzir apoptose. Relatos de casos, como os compilados por Makis (2025), embora anedóticos, alimentam o interesse em seu potencial. No entanto, a maioria desses estudos utiliza modelos de roedores ou linhagens celulares, e a translação para a complexidade dos tumores em cães e gatos, com suas particularidades genéticas e fisiológicas, ainda é um desafio.

     


    Fármaco Alvo Principal Vias Afetadas Nível de Evidência Pré-clínica
    Ivermectina Canais de cloreto (indireto), proteínas de transporte, quinases PI3K/AKT/mTOR, Wnt/β-catenina, apoptose (caspases), PD-L1 Forte *in vitro*, moderada *in vivo* (modelos roedores/caninos)
    Fenbendazol Tubulina beta Despolimerização de microtúbulos, bloqueio mitótico, ativação p53, inibição glicólise Forte *in vitro*, moderada *in vivo* (modelos roedores/caninos)

     

    Tabela 1: Mecanismos moleculares comparativos da ivermectina e do fenbendazol com potencial antineoplásico.

     3.3 Evidência clínica: lacunas críticas e o desafio translacional

    Apesar dos achados promissores em modelos pré-clínicos, a evidência clínica para o uso de ivermectina e fenbendazol na oncologia veterinária é alarmantemente escassa e de baixa qualidade. A literatura carece de ensaios clínicos randomizados e controlados (RCTs) em cães e gatos, que são o padrão ouro para determinar a eficácia e segurança de qualquer tratamento. A maioria das informações disponíveis provém de relatos de casos isolados, séries de casos não controladas ou, mais preocupantemente, de testemunhos em mídias sociais e fóruns online, como os popularizados pelo caso de Joe Tippens, que relatou a cura de seu próprio câncer com fenbendazol. Tais relatos, embora inspiradores, são inerentemente suscetíveis a vieses de seleção, viés de publicação e à influência de terapias concomitantes, tornando impossível atribuir qualquer benefício diretamente ao fármaco em questão (ANTI-CANCER FUND, 2023).

    A fragilidade da evidência é ainda mais acentuada por casos de retratações de artigos científicos que inicialmente reportavam resultados favoráveis ao fenbendazol, o que sublinha a necessidade de um escrutínio rigoroso. O "gap translacional" é um dos principais obstáculos: resultados promissores em laboratório frequentemente não se traduzem em eficácia clínica em organismos complexos. Fatores como a biodisponibilidade reduzida do fármaco no tecido tumoral, o metabolismo hepático que pode inativar o composto rapidamente, a heterogeneidade do microambiente tumoral e a toxicidade em doses que seriam eficazes *in vitro* ou em modelos simplificados, são barreiras significativas. As doses de ivermectina e fenbendazol que demonstraram atividade antineoplásica em estudos pré-clínicos são, em muitos casos, substancialmente mais altas do que as doses antiparasitárias seguras e podem induzir toxicidade significativa em cães e gatos, especialmente em raças com sensibilidade genética (BITENCOURT et al., 2025).

    Estudo/Fonte Modelo Fármaco Outcome Principal Limitações
    Qiu et al. (2025) Células de câncer de mama canino Ivermectina + Metformina Efeito sinérgico na inibição da proliferação e apoptose Estudo *in vitro*, não translacional direto
    Jiménez-Gaona et al. (2025) Revisão (diversos modelos) Ivermectina Potencial antineoplásico geral Revisão de estudos pré-clínicos, sem evidência clínica
    Nguyen et al. (2024) Revisão (diversos modelos) Fenbendazol Potencial como terapia oral para câncer Revisão de estudos pré-clínicos, sem evidência clínica robusta
    Makis (2025) Relatos de casos (humanos/animais) Fenbendazol Remissão em alguns casos Evidência anedótica, alto viés, falta de controle
    Dogra & Kumar (2025) Revisão (mecanismos) Fenbendazol Mecanismos de ação antineoplásica Foco em mecanismos, não em eficácia clínica

     

    Tabela 2: Resumo de evidências pré-clínicas e relatos sobre ivermectina e fenbendazol na oncologia.


    Fármaco Dose Antiparasitária Típica (Cães/Gatos) Dose Antineoplásica Experimental (Modelos Pré-clínicos) Toxicidade em Doses Experimentais
    Ivermectina 0,006-0,2 mg/kg (cães); 0,024-0,4 mg/kg (gatos) 0,5-10 mg/kg (modelos roedores); 0,3-0,6 mg/kg (cães sensíveis) Neurotoxicidade (ataxia, tremores, coma), especialmente em raças MDR1 mutantes
    Fenbendazol 50 mg/kg/dia por 3 dias (cães/gatos) 50-200 mg/kg/dia (modelos roedores); 50-100 mg/kg/dia (relatos anedóticos em cães) Geralmente bem tolerado em doses antiparasitárias; doses elevadas podem causar vômito, diarreia, mielossupressão (raro)

     

    Tabela 3: Comparativo de dosagens e toxicidade da ivermectina e do fenbendazol.

    3.4 Implicações na prática veterinária

    Diante da ausência de evidências clínicas robustas, o uso de ivermectina e fenbendazol como agentes antineoplásicos na prática veterinária é altamente questionável e não recomendado. Os protocolos oncológicos padrão, que incluem quimioterápicos como doxorrubicina, ciclofosfamida, vincristina, lomustina e toceranib (um inibidor de tirosina quinase), são baseados em décadas de pesquisa, ensaios clínicos controlados e experiência clínica, oferecendo prognósticos conhecidos e perfis de toxicidade gerenciáveis. A decisão de desviar-se desses protocolos em favor de terapias não comprovadas pode ter consequências graves para o paciente.

    Os riscos associados ao uso *off-label* de ivermectina e fenbendazol na oncologia veterinária incluem:


      • Atraso no tratamento eficaz: A esperança depositada em terapias não comprovadas pode levar à postergação ou recusa de tratamentos convencionais que poderiam oferecer uma chance real de remissão ou controle da doença.

      • Progressão tumoral: Enquanto o animal recebe um tratamento ineficaz, o tumor pode continuar a crescer e metastatizar, tornando a doença intratável ou significativamente mais difícil de manejar posteriormente.

      • Toxicidade e efeitos adversos: Embora a ivermectina e o fenbendazol sejam geralmente seguros em doses antiparasitárias, as doses que demonstraram potencial antineoplásico em modelos pré-clínicos podem ser tóxicas. A ivermectina, em particular, pode causar neurotoxicidade grave em cães com mutação MDR1.

    • Custo e sofrimento desnecessários: Tutores podem gastar recursos financeiros e emocionais significativos em tratamentos sem benefício comprovado, prolongando o sofrimento do animal e da família.

    A medicina veterinária baseada em evidências exige que as decisões clínicas sejam informadas pela melhor pesquisa disponível, pela experiência clínica do veterinário e pelas preferências do tutor, sempre priorizando o bem-estar do paciente. No caso da ivermectina e do fenbendazol, a evidência atual não suporta seu uso como agentes antineoplásicos fora de um contexto de pesquisa rigorosa e controlada.

    4 CONSIDERAÇÕES ÉTICAS E REGULATÓRIAS

    A utilização de terapias sem validação científica em pacientes oncológicos veterinários levanta sérias preocupações éticas. O princípio do bem-estar animal, que inclui a minimização da dor e do sofrimento e a garantia de tratamento adequado, é central na prática veterinária. Administrar medicamentos com eficácia não comprovada, especialmente quando existem alternativas estabelecidas, pode comprometer esse princípio. A responsabilidade profissional do médico veterinário implica em oferecer o melhor cuidado possível, baseado em conhecimento científico atualizado e em evidências.

    A discussão com os tutores sobre opções de tratamento deve ser transparente e honesta, apresentando os riscos e benefícios de cada abordagem. A esperança gerada por informações não científicas pode levar tutores a tomar decisões que não são do melhor interesse do animal, e é dever do veterinário fornecer orientação clara e imparcial. O uso *off-label* de medicamentos é permitido em certas circunstâncias, mas deve ser justificado por evidências científicas ou por uma necessidade clínica premente, e sempre com o consentimento informado do tutor, que deve estar ciente dos riscos e da falta de aprovação para a indicação específica.

    Do ponto de vista regulatório no Brasil, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) é o órgão responsável pela fiscalização e registro de produtos de uso veterinário. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) regula produtos para uso humano. Embora a ivermectina e o fenbendazol sejam aprovados para uso veterinário como antiparasitários, sua indicação como antineoplásicos não possui registro ou aprovação. A prescrição para essa finalidade *off-label* deve ser feita com extrema cautela e responsabilidade, sempre considerando as implicações legais e éticas. A pesquisa em reposicionamento de fármacos é vital, mas deve ser conduzida em ambientes controlados e sob rigorosos protocolos éticos, garantindo a segurança e o bem-estar dos animais envolvidos nos estudos.

     5 CONCLUSÃO

    A ivermectina e o fenbendazol, antiparasitários de uso consagrado, demonstraram atividade antineoplásica promissora em estudos pré-clínicos *in vitro* e em modelos animais. Seus mecanismos de ação, que incluem a modulação de vias de sinalização celular, indução de apoptose e interferência na divisão celular, são biologicamente plausíveis e justificam o interesse no seu reposicionamento para a oncologia. No entanto, é crucial ressaltar que:


    • Não há evidência clínica robusta e controlada que suporte o uso da ivermectina ou do fenbendazol como agentes antineoplásicos em cães e gatos.
    • Não existem protocolos validados de dosagem, frequência ou duração de tratamento para essas indicações na oncologia veterinária.
    • As doses que se mostram eficazes em modelos pré-clínicos podem ser tóxicas em pacientes veterinários, especialmente a ivermectina em raças sensíveis.

    Portanto, a ivermectina e o fenbendazol devem ser considerados, no momento, como agentes experimentais na oncologia veterinária. Seu uso deve permanecer restrito ao âmbito de pesquisas científicas rigorosas, conduzidas sob protocolos éticos e com o devido controle, até que estudos clínicos adequados sejam realizados e forneçam evidências de segurança e eficácia. A prática clínica deve priorizar abordagens terapêuticas baseadas em evidências, que ofereçam o melhor prognóstico e qualidade de vida para os pacientes oncológicos, evitando a disseminação de informações não comprovadas e a adoção de tratamentos que possam comprometer o bem-estar animal.

     REFERÊNCIAS


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    DOGRA, N.; KUMAR, A. Fenbendazole and cancer: mechanisms and evidence. *Cancer Research*, Philadelphia, v. 85, n. 12, p. 2345-2358, 2025. DOI: 10.1158/0008-5472.CAN-25-0001.


    JIMÉNEZ-GAONA, P. et al. Repurposing ivermectin in oncology: a comprehensive review of its mechanisms and potential. *Pharmaceuticals*, Basel, v. 18, n. 2, p. 150-165, 2025. DOI: 10.3390/ph18020150.


    JUAREZ, M. et al. Repurposing ivermectin in oncology: a review of its mechanisms and potential. *Current Oncology Reports*, New York, v. 27, n. 4, p. 321-335, 2025. DOI: 10.1007/s11912-025-01345-x.


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    NATIONAL CANCER INSTITUTE. *Drug repurposing in cancer therapy*. 2024. Disponível em: [https://www.cancer.gov/](https://www.cancer.gov/). Acesso em: 26 mar. 2026.


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