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INSTITUTO DE MEDICINA VETERINÁRIA INTEGRATIVA
POTENCIAL TERAPÊUTICO E BIOQUÍMICA DO OVO NA NUTRIÇÃO FUNCIONAL DE CÃES E GATOS: UMA ABORDAGEM INTEGRATIVA
Uma Revisão Integrativa da Hipótese Lipídica à Disbiose Intestinal
08 de maio de 2026
Dr. Cláudio Amichetti Júnior — CRMV‑SP 75.404 VT, MAPA 00129461/2025, CREA 060149829‑SP
Dr. Gabriel Amichetti — CRMV‑SP 45.592 VT
O presente artigo realiza uma análise profunda sobre a densidade nutricional do ovo de galinha (Gallus gallus domesticus) e sua interação com o metabolismo do hospedeiro. Historicamente marginalizado devido ao seu conteúdo de colesterol, o ovo é aqui reavaliado sob a ótica da medicina translacional. A revisão aborda desde a estrutura bioquímica da casca e proteínas da clara até o complexo lipídico da gema. O foco central reside na via metabólica da colina e sua conversão em óxido de trimetilamina (TMAO), demonstrando que a funcionalidade deste alimento não é intrínseca, mas dependente da eubiose intestinal e da integridade da microbiota do hospedeiro.
A demonização do ovo teve início na década de 1950, impulsionada pela "Hipótese Lipídica" de Ancel Keys. Através do "Estudo dos Sete Países", Keys estabeleceu uma correlação direta entre a ingestão de gorduras saturadas, colesterol dietético e a incidência de doenças cardiovasculares. Este paradigma moldou as diretrizes nutricionais por décadas, baseando-se na premissa simplista de que o colesterol ingerido elevaria linearmente o colesterol sérico e a aterogênese.
Entretanto, a evolução para a Medicina Translacional revelou que a inflamação sistêmica e o estresse oxidativo são os verdadeiros mediadores da patologia vascular. Estudos contemporâneos indicam que o colesterol dietético possui impacto marginal na colesterolemia de indivíduos saudáveis. A transição do foco do "nutriente isolado" para a "saúde do ecossistema intestinal" permite uma compreensão mais acurada de como o ovo interage com a fisiologia metabólica, especialmente no que tange à inflamação crônica de baixo grau.
A casca do ovo é uma matriz mineral complexa composta majoritariamente por carbonato de cálcio (
CaCO3
) e magnésio. Sua função transcende a proteção mecânica; ela é revestida pela mucina (cutícula), uma barreira glicoproteica que oblitera os poros da casca, impedindo a translocação de patógenos como a Salmonella spp. A lavagem prévia do ovo remove essa proteção, aumentando a permeabilidade e o risco de contaminação interna.
A clara (albúmen) é uma solução aquosa rica em proteínas de alto valor biológico:
A gema representa o núcleo nutricional, contendo vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) e carotenoides como Luteína e Zeaxantina, fundamentais para a proteção retiniana contra o estresse foto-oxidativo. Destaca-se a Colina, precursor da acetilcolina e da fosfatidilcolina, essencial para a integridade das membranas celulares e sinalização neuronal.
Em condições de disbiose intestinal, a colina dietética não absorvida no intestino delgado alcança o cólon, onde é metabolizada por bactérias anaeróbias (como as das famílias Lachnospiraceae e Enterobacteriaceae). Esse processo de clivagem enzimática resulta na formação de Trimetilamina (TMA), um composto volátil que é absorvido pela circulação portal.
Ao atingir o parênquima hepático, a TMA sofre oxidação catalisada pela enzima Flavina-monoxigenase 3 (FMO3). O produto desta reação é o Óxido de Trimetilamina (TMAO), conforme a reação simplificada:
TMA+NADPH+H++O2→FMO3TMAO+NADP++H2O
O TMAO atua como um modulador negativo do metabolismo lipídico através de três mecanismos principais:
A qualidade nutricional do ovo é diretamente proporcional ao sistema de criação da ave. Ovos provenientes de sistemas de granja intensiva apresentam, frequentemente, uma relação desequilibrada entre ácidos graxos poli-insaturados:
"A proporção ideal de Ômega-6 para Ômega-3 deve ser próxima de
4:1
. Em sistemas intensivos, essa razão pode exceder
15:1
, tornando o ovo um agente pró-inflamatório."
Aves criadas em sistemas caipiras ou orgânicos, com acesso a pastagens e luz solar, produzem ovos com maiores teores de Vitamina D3 e Ômega-3 (DHA/EPA), reduzindo o potencial inflamatório do alimento no hospedeiro final.
Na clínica de pequenos animais, o ovo pode ser utilizado como um nutracêutico estratégico. Para cães e gatos, a modulação da microbiota é o pré-requisito para a inclusão segura de fontes de colina. Pacientes com enteropatias crônicas ou disbiose devem ter o consumo monitorado para evitar a elevação de TMAO. O preparo ideal é o Ovo Pochê: o cozimento da clara inativa a avidina e patógenos, enquanto a manutenção da gema mole preserva a integridade das gorduras insaturadas e vitaminas termolábeis.
O ovo reafirma sua posição como um dos alimentos mais completos da natureza, porém sua funcionalidade é contexto-dependente. A transição da Hipótese Lipídica para a compreensão do eixo intestino-fígado revela que a saúde do hospedeiro dita o impacto metabólico do alimento. Médicos veterinários devem focar na eubiose intestinal e na procedência do alimento para maximizar os benefícios terapêuticos deste complexo nutricional.
DR. CLÁUDIO AMICHETTI JÚNIOR DR. GABRIEL AMICHETTI
CRMV-SP 75.404 VT CRMV-SP 45.592 VT
Local e data: São Paulo, 08 de maio de 2026
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Medicina Veterinária Integrativa e Translacional: Do Erro Histórico dos Cereais à Homeostase Intestinal
Autores: Dr. Cláudio Amichetti Júnior (CRMV-SP 75.404 VT, MAPA 00129461/2025, CREA 060149829-SP); Dr. Gabriel Amichetti (CRMV-SP 45.592 VT)
Instituição: Petclube – Ciência, Genética e Bem-Estar Animal
Publicação: www.petclube.com.br
A saúde contemporânea de cães e gatos é refém de uma transição nutricional forçada por interesses econômicos do século XX. Este artigo analisa a ruptura entre a dieta ancestral do lobo (Canis lupus) e a Pirâmide Alimentar baseada em cereais, transposta da indústria humana para a veterinária. Discute-se o impacto bioquímico do excesso de carboidratos, a ativação de vias pró-inflamatórias (NF-κB) e a gênese da Doença Renal Crônica (DRC) e do Leaky Gut. Conclui-se pela urgência da Modulação Intestinal e da Alimentação Natural (AN), defendendo uma revisão profunda dos critérios normativos junto aos conselhos federais e órgãos reguladores.
Entre as décadas de 1970 e 1990, a necessidade dos Estados Unidos de expandir o sistema de plantation para escoar excedentes massivos de cereais (milho, trigo e soja) moldou a Pirâmide Alimentar do USDA (1992). Esta estrutura, que privilegiava carboidratos na base, foi transposta para a alimentação animal como uma solução de mercado, ignorando a fisiologia carnívora.
Enquanto a ecologia trófica do lobo (Canis lupus) revela um modelo de "máxima densidade nutricional" — priorizando vísceras, medula óssea e gorduras estruturais — a indústria impôs o volume barato do amido. Em 2026, o governo americano (USDA/FDA) finalmente redefiniu as diretrizes para humanos, priorizando proteínas de alto valor biológico e fibras. Se a ciência humana já reconheceu o erro, o que falta para a comunidade veterinária abandonar critérios ultrapassados?
"A proposta do Petclube é uma discussão ampla, para que haja uma mudança real na sociedade, sendo nós uma ferramenta poderosa em favor da saúde e do bem-estar animal." — Dr. Cláudio Amichetti Júnior.
A inflamação de baixo grau é o motor das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT). Diferente da inflamação aguda, ela é silenciosa e impulsionada pela desregulação metabólica.
Dietas comerciais com 40% a 60% de carboidratos mantêm picos constantes de insulina. O excesso de glicose satura o Ciclo de Krebs, gerando acúmulo de NADH e FADH₂. Isso causa "vazamento" de elétrons na cadeia respiratória, formando o Ânion Superóxido ($$O_2^{\cdot-}$$). O estresse oxidativo ativa o complexo NF-κB, que desencadeia a transcrição de citocinas pró-inflamatórias:
O epitélio intestinal é protegido por junções oclusivas (tight junctions: ocludina e claudina). Antígenos de cereais (lectinas e glúten moderno, rico em glutamina e prolina) estimulam a secreção de Zonulina, que desestrutura essas junções. Ocorre a translocação de LPS (Lipopolissacarídeos) de bactérias Gram-negativas para a circulação portal. O LPS liga-se aos receptores TLR4 em macrófagos, desencadeando resposta inflamatória sistêmica que se manifesta na pele (dermatites), articulações (artrites) e rins.
O maior desafio da Medicina Veterinária atual não é a falta de tecnologia, mas a persistência de uma mentalidade da década de 60-70. Muitos clínicos ainda tratam a SII com paliativos (antidepressivos, corticoides) e rações "hipoalergênicas" saturadas de amido hidrolisado, ignorando que o problema é a quebra bioquímica da barreira intestinal.
Discussões recentes na nefrologia integrativa exploram o impacto metabólico de dietas ultraprocessadas sobre a progressão da DRC:
Proteínas mal digeridas (cadeias de 11 a 33 aminoácidos do glúten moderno e da caseína) que vazam pelo Leaky Gutentram na circulação sanguínea. O sistema imune produz anticorpos contra essas proteínas estranhas. Por mimetismo molecular, esses anticorpos atacam tecidos próprios:
A via mTOR, um dos principais reguladores do crescimento celular, é constantemente ativada pela hiperinsulinemia decorrente de dietas ricas em carboidratos. A ativação crônica da via mTOR está associada a:
Embora o arsenal atual utilize o Protocolo dos 4 Rs (Retirar, Reparar, Repor, Reinocular) e substâncias consolidadas como Glutamina, Ômega-3 (EPA), PEA (Palmitoiletanolamida) e Vitamina A, novas fronteiras terapêuticas estão sendo exploradas com Peptídeos Biorreguladores:
| Peptídeo | Mecanismo em Estudo | Aplicação Potencial |
|---|---|---|
| BPC-157 | Regeneração de tight junctions, angiogênese local | Leaky Gut, úlceras gástricas, tendinites |
| TB-500 (Tβ4) | Migração celular, reorganização do citoesqueleto | Reparo tecidual profundo, inflamação crônica |
| KPV (Lys-Pro-Val) | Modulação da via Nrf2, redução de NF-κB | Neuroinflamação, barreira intestinal |
⚠️ Nota: Estes peptídeos encontram-se em fase de estudo clínico para aprovação veterinária. Sua prescrição deve ser baseada em protocolos experimentais com consentimento informado do tutor. O presente artigo os cita como horizonte de pesquisa, não como recomendação clínica definitiva.
A evidência bioquímica aqui apresentada demonstra que os critérios nutricionais estabelecidos na década de 70 — baseados no escoamento de excedentes de cereais do sistema plantation — são insuficientes e prejudiciais à longevidade animal. A tabela comparativa expõe de forma clara como cada parâmetro bioquímico da ração ultraprocessada se correlaciona com doenças crônicas que assolam a clínica de pequenos animais.
É imperativo que a comunidade científica veterinária, liderada por profissionais que buscam a Nutrologia Funcional, pressione por uma redefinição dos protocolos junto ao CFMV (Conselho Federal de Medicina Veterinária) e ao MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).
O mapa para a mudança:
Nas Universidades: A formação acadêmica precisa abandonar a visão limitada do "alimento completo" baseado apenas em análise centesimal de cinzas e abraçar a bioquímica da biodisponibilidade, ensinando nutrição evolutiva e funcional desde a graduação.
Nos Conselhos Federais (CFMV): É necessário criar câmaras técnicas de nutrição integrativa que revisem os padrões de "alimentos completos" à luz das evidências científicas atuais sobre inflamação metabólica, Leaky Gut e eixo intestino-rim.
No MAPA: Os critérios de registro e fiscalização de alimentos para animais devem considerar não apenas a composição centesimal, mas o impacto inflamatório sistêmico dos ingredientes.
Na Comunidade Científica: A produção de estudos epidemiológicos robustos correlacionando o consumo de dietas ultraprocessadas com a incidência de DRC, dermatopatias e doenças autoimunes é urgente e necessária.
"A nutrição não é apenas o que o animal come — é a informação bioquímica que cada célula recebe. Tratar o sintoma com corticoides enquanto a base alimentar é cerealista é como tentar apagar um incêndio jogando querosene. A cura começa na boca e termina na restauração da barreira intestinal."
A reestruturação dos critérios normativos não é apenas uma questão técnica: é um compromisso ético com a saúde pública, com o bem-estar animal e com os tutores que confiam na orientação do médico veterinário. Somente através da convergência entre academia, órgãos reguladores e clínicos integrativos poderemos substituir a "Pirâmide de Mercado" pela Pirâmide da Homeostase.
O artigo expõe que a nutrição baseada em cereais (Pirâmide 1970/USDA) é um erro histórico que gera hiperinsulinemia, estresse mitocondrial, disbiose, Leaky Gut e DRC. A tabela comparativa de 17 parâmetros demonstra como a Alimentação Natural supera a ração ultraprocessada em todos os aspectos bioquímicos. A conclusão defende a união da classe veterinária com CFMV, MAPA e universidades para reformular o ensino e as normas regulatórias, priorizando a nutrição funcional como pilar da medicina preventiva.
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Dr. Cláudio Amichetti Júnior
CRMV 75404
Foco em Nutrição e Medicina Integrativa e Regenerativa
A nutrição é o pilar central da longevidade felina. Este artigo detalha como a Alimentação Natural Cozida (ANC) atua como uma ferramenta terapêutica, respeitando a fisiologia de carnívoro obrigatório, modulando a microbiota intestinal e reduzindo a inflamação sistêmica. Discutiremos desde a base metabólica até a formulação segura e suplementação obrigatória.
Diferente dos cães, os gatos possuem adaptações metabólicas rigorosas que os classificam como carnívoros obrigatórios. Isso significa que seu organismo evoluiu para obter energia e nutrientes quase exclusivamente de tecidos animais.
As dietas comerciais modernas frequentemente falham ao oferecer excesso de amido (carboidratos) e baixa umidade, o que sobrecarrega o pífio metabolismo de glicose dos felinos e predispõe a doenças como diabetes e urolitíases. A ANC surge para resgatar essa adequação biológica.
O metabolismo felino é "programado" para uma alta taxa de gliconeogênese a partir de aminoácidos.
Nem toda proteína é igual. Na ANC, buscamos o maior Valor Biológico (VB) para reduzir o resíduo nitrogenado e poupar a função renal.
| Fonte Proteica | Digestibilidade | Vantagens Clínicas | Desvantagens/Riscos |
|---|---|---|---|
| Ovos (Cozidos) | 98-100% | Valor biológico máximo; rico em colina e biotina. | Requer cocção completa (presença de avidina no ovo cru). |
| Peito de Frango | 92-95% | Baixa gordura; alta aceitação e fácil digestão. | Pobre em ferro; requer mistura com carnes vermelhas. |
| Carne Bovina (Magra) | 90% | Rica em Ferro, Zinco e Vitaminas do complexo B. | Pode ter maior potencial alergênico em alguns indivíduos. |
| Peixes Brancos | 94% | Excelente para dietas de exclusão e hipocalóricas. | Risco de excesso de iodo ou deficiência de tiamina se mal processado. |
O intestino é o maior órgão imunológico do gato. A ANC promove uma microbiota rica em bactérias benéficas que fermentam fibras específicas, gerando Ácidos Graxos de Cadeia Curta (AGCC) como o butirato.
A implementação da dieta natural cozida reflete em múltiplos sistemas:
Uma dieta "caseira" sem orientação é um risco à vida. A formulação deve seguir proporções rígidas:
Impactos da ANC sem Orientação Profissional
| Nutriente Ausente | Problema Clínico | Solução Integrativa |
|---|---|---|
| Cálcio | Osteodistrofia e fraturas patológicas. | Inclusão de carbonato ou citrato de cálcio. |
| Taurina | Degeneração da retina e insuficiência cardíaca. | Suplementação isolada via suplementos específicos. |
| Vitamina E | Esteatite (inflamação da gordura corporal). | Inclusão de antioxidantes na dieta. |
Na prática do Dr. Cláudio Amichetti Júnior, a nutrição é combinada com Peptídeos Biorreguladores (como o BPC-157 para reparo intestinal) e Cannabis Medicinal (CBD) para modular a dor e a inflamação de pacientes oncológicos ou geriátricos, potencializando a resposta terapêutica da dieta.
A Alimentação Natural Cozida não é apenas "comida", é medicina. Ao respeitar a biologia felina, reduzimos a carga tóxica e inflamatória, proporcionando uma vida mais longa e saudável. No entanto, a precisão na formulação e o acompanhamento veterinário são os únicos caminhos para o sucesso clínico.
FASCETTI, A. J.; DELANEY, S. J. Applied Veterinary Clinical Nutrition. Ames: Wiley-Blackwell, 2020.
SAAD, F. M. O.; FRANÇA, J. Alimentação natural para cães e gatos. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 39, p. 52-59, 2010.
SUCHODOLSKI, J. S. Intestinal microbiota of dogs and cats. Veterinary Clinics: Small Animal Practice, v. 41, n. 2, p. 261-272, 2011.
WERNIMONT, S. M. et al. The effects of nutrition on the gastrointestinal microbiome of cats. Journal of Animal Science, v. 98, n. 4, 2020.
WSAVA Global Nutrition Committee. Nutritional guidelines for companion animals. 2020. Disponível em: https://wsava.org/.
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