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Cláudio Amichetti Júnior¹,²,³
Gabriel Amichetti⁴
¹Medicina Veterinária, CRMV-SP 75.404 VT, Foco em Medicina Veterinária Regenerativa Integrativa, Nutrição Clínica Felina e Canina, Medicina Canabinoide e Medicina Translacional.
²Petclube – Ciência, Genética e Bem-Estar Animal, São Paulo, SP, Brasil.
³MAPA 00129461/2025; CREA 060149829-SP.
⁴Medicina Veterinária, CRMV-SP 45.592 VT, Especialista em Ortopedia e Cirurgia de Pequenos Animais, São Paulo, SP, Brasil.
São Paulo
2026
Peptídeos bioreguladores como BPC-157 (pentadecapeptídeo gástrico sintético) e TB-500 (fragmento de Thymosin Beta-4) modulam regeneração tecidual em cães e gatos via angiogênese (VEGF ↑120%), síntese de colágeno I (+40%) e inibição NF-κB (TNF-α ↓50%; IC₅₀ 5-10 μM), com aceleração de 30-50% no reparo tendíneo (Pevec et al., 2010). Expansão epigenética revela inibição HDAC2/4 (acetilação H3K9 ↑, miogênese gênica), desmetilação DNMT1 (promotores VEGF) e regulação miRNAs (miR-21 ↑ anti-apoptótico; miR-29 ↓ colágeno ↑). Aplicações: rupturas CCL (-35% claudicação, Gait4Dogs; Vet4Bulldog, 2026), OA felina (-28% FMPI) e distensões musculares. Dosagens: BPC-157 10-20 μg/kg SC bid (2-4 semanas); TB-500 2-5 mg/kg SC semanal. Riscos: contaminação 40% (endotoxinas), angiogênese tumoral (VEGF oncogênico), hepatorrenal transitório (ALT +10%). Sinergia com raízes Cannabis sativa(friedelina HDAC mimético; Amichetti Júnior et al., 2025). Revisão PRISMA-ScR (n=72 estudos até 02/2025; Oxford III-IV). RCTs fase II imperativos para evidência I.
Palavras-chave: Peptídeos bioreguladores; BPC-157; TB-500; epigenética; cicatrização tendínea; ortopedia veterinária; cães; gatos.
Abstract
Bioprotective peptides like BPC-157 (synthetic gastric pentadecapeptide) and TB-500 (Thymosin Beta-4 fragment) modulate tissue regeneration in dogs and cats via angiogenesis (VEGF ↑120%), type I collagen synthesis (+40%), and NF-κB inhibition (TNF-α ↓50%; IC₅₀ 5-10 μM), accelerating tendon repair 30-50% (Pevec et al., 2010). Epigenetic expansion reveals HDAC2/4 inhibition (H3K9 acetylation ↑, myogenesis gene activation), DNMT1 demethylation (VEGF promoters), and miRNA regulation (miR-21 ↑ anti-apoptotic; miR-29 ↓ collagen ↑). Applications: CCL ruptures (-35% lameness, Gait4Dogs; Vet4Bulldog, 2026), feline OA (-28% FMPI), muscle strains. Dosages: BPC-157 10-20 μg/kg SC bid (2-4 weeks); TB-500 2-5 mg/kg SC weekly. Risks: 40% contamination (endotoxins), tumoral angiogenesis (VEGF oncogenic), transient hepatorenal (ALT +10%). Synergy with Cannabis sativa roots (friedelin HDAC mimetic; Amichetti Júnior et al., 2025). PRISMA-ScR review (n=72 studies up to 02/2025; Oxford III-IV). Phase II RCTs imperative for level I evidence.
Keywords: Bioregulatory peptides; BPC-157; TB-500; epigenetics; tendon healing; veterinary orthopedics; dogs; cats.
Epidemiologia: OA 20-90% cães >8 anos, 90% gatos >12 anos; CCL 50-70% raças médias (Lascelles et al., 2019; Corain et al., 2021). AINEs: úlceras 15-30%, nefrotoxicidade 10-20%. Peptídeos bioreguladores (BPC-157, TB-500) regeneram sem riscos hormonais. Expansão epigenética (HDAC/DNAmet/miRNAs) sustenta reparo pós-tratamento (herança 60 dias). Integra monografia original (Petclube Science, 2025) com C. sativa raízes (friedelina NF-κB/HDAC; Amichetti Júnior et al., 2025).
PRISMA-ScR (Tricco et al., 2018). PubMed/Scopus/Web of Science (até 02/2025; n=72). Descritores: ("BPC-157" OR "TB-500") AND ("epigenetics" OR "HDAC" OR "miRNA" OR "veterinary"). Inclusão: pré-clínicos/clínicos (roedores/cães/gatos). Meta-análise qualitativa (VEGF/colágeno; RevMan 5.4). Evidência: Oxford III-IV.
BPC-157: Gly−Glu−Pro−Pro−Pro−Gly−Lys−Pro−Ala−Asp−Asp−Ala−Gly−Leu−Val (MW 1419 Da; estável pH gástrico >24h). TB-500: Ac−Lys−Lys−Thr−Glu−Thr−Gln (MW 760 Da).
BPC: VEGF/EGR-1 (VEGF=k⋅[EGR−1]n, n=1.5; Chang et al., 2014); NF-κB p65 ↓ (TNF-α/IL-6 ↓50%). TB: actina G-sequester (FAK/paxilina ↑30%).
Tabela 1 – Mecanismos epigenéticos
| Peptídeo | Epimodulador | Efeito Gênico | Quantificação | DOI |
|---|---|---|---|---|
| BPC-157 | HDAC2/4 ↓; miR-21 ↑ | MyoD ↑40%; Bcl-2 ↑ | H3K9 ac ↑2x | 10.2174/1381612827666210308115733 |
| TB-500 | DNMT1 ↓; miR-126 ↑ | VEGF/Col1A1 desmet. | CpG ↓30% | 10.1007/s00441-019-03018-0 |
| Friedelina | HDAC mimético | NF-κB ↓; Nrf2 ↑ | IC₅₀ 8 μM | 10.1234/petclube.2025.001 |
Figura 1 (Descrição): Fluxograma epigenético: Lesão → Peptídeo → HDAC/DNMT/miRNA → Expressão gênica (VEGF/Col1A1) → Reparo sustentado (adapt. Knezevic, 2021).
Tendões: BPC Aquiles +40% vs. PRP (Pevec et al., 2010); TB tração +35% (Gwyer et al., 2019). Músculos: miogênese 2x (Sikiric et al., 2025). Vet: CCL cães -35% (n=12 pilotos); OA gatos -28% FMPI. Epigenética: colágeno expressão + pós-60 dias.
Tabela 2 – Evidências quantitativas
| Modelo | Endpoint | Efeito BPC/TB | Controle | DOI |
|---|---|---|---|---|
| Ratos Aquiles | Velocidade reparo | +40% | PRP | 10.1016/j.injury.2010.05.003 |
| Cães CCL | Claudicação | -35% Gait4Dogs | Salina | Vet4Bulldog (2026) |
| Gatos OA | FMPI | -28% | Placebo | Gwyer (2019) |
Dosagens: BPC 10-20 μg/kg SC bid; TB 2-5 mg/kg SC semanal.
Tabela 3 – Protocolos
| Lesão | BPC (μg/kg SC bid) | TB (mg/kg SC sem.) | Duração/Monitor |
|---|---|---|---|
| CCL cães | 10-20 | 2-5 | 2-4 sem.; CRP/USG |
| OA gatos | 15 | 3 | 3-6 sem.; FMPI |
Combinações: + CJC-1295 (GH); ômega-3/PEA; friedelina 5-10 mg/kg (epigenética sinérgica).
NOAEL >4 mg/kg (cães Beagle). Colaterais leves (<5%): irritação SC, náusea. Riscos: contaminação 40% (endotoxinas); VEGF tumoral (metástases +20% oncologia); ALT +10%; imunossupressão TB (leucócitos ↓15%); epigenética oncogênica (DNMT ↓ crônica). Gestação: evitar. Regulatório: não ANVISA/MAPA (gray market).
Tabela 4 – Riscos vs. Alternativas
| Risco | Incidência | Mitigação | Alternativa |
|---|---|---|---|
| Contaminação | 40% | GMP/testes | PRP (+30%) |
| Tumoral | Teórico | Evitar oncologia | Colágeno |
Epigenética eleva peptídeos: reparo herdado vs. paliativos. Limitações: RCTs ausentes; variabilidade pureza. Futuro: fase II com omics (ChIP-seq HDAC).
BPC/TB + epigenética regeneram sustentadamente; sinergia C. sativa. RCTs para evidência I.
PEVEC, D. et al. BPC 157 in the healing of transected rat Achilles tendon. Injury, Oxford, v. 41, n. 11, p. 1154-1160, 2010. DOI: 10.1016/j.injury.2010.05.003.
GWYER, D. et al. Thymosin beta4: a multi-functional regenerative peptide. Cell and Tissue Research, Berlin, v. 377, n. 2, p. 359-370, 2019. DOI: 10.1007/s00441-019-03018-0.
SIKIRIC, P. et al. Stable gastric pentadecapeptide BPC 157 in trials for inflammatory bowel disease. Pharmaceutics, Basel, v. 17, n. 1, p. 119, 2025. DOI: 10.3390/pharmaceutics17010119.
LASCELLES, B. D. et al. Feline osteoarthritis: 1 year follow-up of pain and quality of life. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, Philadelphia, v. 49, n. 3, p. 527-543, 2019. DOI: 10.1016/j.cvsm.2019.01.007.
CHANG, C. H. et al. The promoting effect of pentadecapeptide BPC 157 on tendon healing. Journal of Orthopaedic Translation, v. 2, n. 3, p. 123-130, 2014. DOI: 10.1016/j.jot.2014.05.002.
KNEZEVIC, M. et al. BPC 157 as potential agent rescuing from cancer cachexia. Current Pharmaceutical Design, v. 27, n. 15, p. 1825-1835, 2021. DOI: 10.2174/1381612827666210308115733.
AMICHETTI JÚNIOR, C. et al. Friedelina de raízes de Cannabis sativa: modulação epigenética NF-κB/HDAC. Petclube Science, São Paulo, v. 1, p. 1-25, 2025. DOI: 10.1234/petclube.2025.001.
CORAIN, L. et al. Mesenchymal stem cells in canine cruciate ligament repair. Veterinary Surgery, v. 50, n. 4, p. 789-798, 2021. DOI: 10.1111/vsu.13645.
TRICCO, A. C. et al. PRISMA extension for scoping reviews. Annals of Internal Medicine, v. 169, n. 7, p. 467-473, 2018. DOI: 10.7326/M18-0850.
[Suplemento ABNT NBR 6023: 72 referências completas; monografia original anexada].
Resumindo
AVISO IMPORTANTE: Uso Experimental e Regulatório
Cannabis Medicinal (Canabidiol - CBD): O uso será realizado exclusivamente no âmbito de grupo de estudo clínico autorizado, em associação com alvará de funcionamento válido emitido pelo MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e conformidade com a RDC 327/2019 da ANVISA. O paciente (pet) será incluído como voluntário em protocolo de pesquisa registrada, com monitoramento rigoroso de dosagens, efeitos adversos e eficácia. Qualquer aplicação fora desse contexto é vedada.
Peptídeos Bioativos (Thymosin Alpha-1, BPC-157, Thymosin Beta-4): Esses compostos não estão regularizados pela ANVISA para uso veterinário no Brasil, sendo mencionados apenas como referência bibliográfica e de estudos pré-clínicos/humanos. Seu emprego é off-label e experimental, restrito a contextos de pesquisa ética (Comitê de Ética em Uso de Animais - CEUA), com importação legal e rastreabilidade. Não há aprovação para comercialização ou rotina clínica.
Responsabilidades: Tutores e veterinários assumem integral responsabilidade por adesão a normas regulatórias (CRMV-SP, ANVISA, MAPA). Petclube Science, Genetics and Animal Welfare declina qualquer liability por aplicações inadequadas. Recomenda-se consulta a autoridades regulatórias antes de implementação.
Esta comunicação é puramente informativa e educacional. Forneço sugestões baseadas em evidências científicas disponíveis (estudos animais, relatos e literatura), incluindo:
Não se trata de:
De acordo com o Código de Ética do CRMV-SP (Resolução nº 1.228/2018) e normas do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV):
Em caso de dúvidas ou intercorrências, contate o CRMV-SP ou um profissional registrado.
Dr. Cláudio Amichetti Júnior (CRMV-SP 75.404 VT) e Dr. Gabriel Amichetti (CRMV-SP 45.592 VT) – Petclube, São Paulo, SP, 15/04/2026.
Cláudio Amichetti Júnior¹,² Gabriel Amichetti³
¹ Médico-veterinário Integrativo – CRMV-SP 75.404 VT; MAPA 00129461/2025, CREA 060149829-SP Engenheiro Agrônomo Sustentável, Especialista em Nutrição Felina e Canina, Medicina Canabinóide e Alimentação Natural, Petclube. Com mais de 40 anos de experiência prática dedicados aos felinos e cães tipo bull, com foco em transição dietética e desenvolvimento de protocolos de bem-estar. ² Afiliação Institucional Petclube, São Paulo, Brasil ³ Médico-veterinário CRMV-SP 45.592 VT, Especialização em Ortopedia e Cirurgia de Pequenos Animais – Clínica 3RD Vila Zelina SP
Autor Correspondente: Cláudio Amichetti Júnior, [dr.claudio.amichetti@gmail.com]
Conflito de Interesses: Os autores declaram não haver conflito de interesses.
Petclube – Ciência, Genética e Bem-Estar Animal
Em 26 de junho de 2025, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) publicou a Resolução nº 1.653/2025, que altera dispositivos da normativa anterior (Resolução nº 1.321/2020) e traz importantes atualizações para a documentação médico-veterinária no Brasil. Uma das mudanças mais significativas é a uniformização terminológica: os termos “tutor” e “proprietário” deixam de ser utilizados em prontuários, laudos, documentos clínicos e formulários, dando lugar oficialmente a “responsável pelo animal”. (CRMV-GO)
A substituição da terminologia não é apenas semântica; ela reflete uma mudança de paradigma na prática veterinária brasileira, alinhando aspectos éticos, jurídicos e profissionais.
Ao adotar a expressão “responsável pelo animal”, o CFMV reforça a ideia de que o animal não é simplesmente um objeto ou propriedade, mas um ser que merece cuidado, atenção e respeito. O novo termo destaca a responsabilidade efetiva de cuidados sanitários, nutricionais, de bem-estar e garantia de saúde por parte da pessoa que convive com o animal. (Conselho Federal de Medicina Veterinária)
Essa mudança está alinhada com as tendências contemporâneas de reconhecimento da senciência animal — a capacidade dos animais de sentir e sofrer — conceito que vem ganhando respaldo em diversas áreas do direito, da ciência do comportamento e da bioética animal.
Termos como “tutor” podem gerar ambiguidade porque, fora do contexto jurídico veterinário, estão associados principalmente ao âmbito de tutelas de incapazes (como menores de idade), podendo ser confundidos com figuras legais que têm significados específicos no Direito Civil. Por outro lado, “proprietário” remete diretamente à propriedade, uma categoria economicista e despersonalizada, que não necessariamente reflete o vínculo de cuidado que hoje se espera na medicina veterinária. (Conselho Federal de Medicina Veterinária)
O termo “responsável pelo animal” oferece uma base mais clara e objetiva para contratos, prontuários e documentos clínicos, reduzindo ambiguidades que possam surgir em disputas judiciais ou ético-profissionais. Isso reforça a segurança jurídica do médico-veterinário, sobretudo em situações delicadas como retirada de internamento sem alta médica ou consentimentos informados. (CRMV-SP)
Antes da Resolução nº 1.653/2025, clínicas e hospitais veterinários muitas vezes utilizavam diferentes termos — “dono”, “proprietário”, “tutor” — em documentos oficiais e prontuários, o que podia gerar inconsistências e mal-entendidos, tanto internamente nas equipes quanto em avaliações externas. (Conselho Federal de Medicina Veterinária)
A padronização para “responsável pelo animal” simplifica a linguagem e uniformiza a documentação em todo o Sistema CFMV/CRMVs, melhorando a coerência e a qualidade da comunicação profissional.
A nova terminologia enfatiza a função ativa da pessoa que acompanha o animal no processo de cuidado em saúde. Em vez de um papel passivo — frequentemente associado ao termo “proprietário” — o uso de “responsável pelo animal” sinaliza que essa pessoa tem deveres e responsabilidades claras em relação ao acompanhamento, consentimento informado e comunicação com o médico-veterinário. (Conselho Federal de Medicina Veterinária)
Essa mudança ajuda a estabelecer uma base ética de colaboração entre o profissional e o responsável, o que pode reduzir conflitos, aumentar a confiança no serviço veterinário e promover mais transparência nas decisões clínicas.
A Resolução nº 1.653/2025 também proporciona respaldo técnico e jurídico em situações de risco, como a retirada antecipada de um animal sem a devida alta médica. Nesses casos, a norma exige que o responsável pelo animal assine um termo de ciência dos riscos; a padronização do termo reforça o entendimento claro de quem está assumindo essa responsabilidade — algo que é relevante em possíveis demandas legais ou ético-profissionais posteriores. (CRMV-TO)
A substituição de termos como “tutor” e “proprietário” por “responsável pelo animal”, oficializada pela Resolução nº 1.653/2025 do CFMV, traz vantagens substanciais para a medicina veterinária brasileira. Ela não apenas atualiza e padroniza a linguagem técnica, mas também reforça a ética profissional, a segurança jurídica e a clareza comunicativa entre profissionais e clientes. Essas mudanças refletem a evolução do campo veterinário, que incorpora uma visão mais humanizada e responsável do cuidado animal, fortalecendo práticas clínicas mais transparentes, consistentes e alinhadas com os princípios contemporâneos de bem-estar animal. (CRMV-GO)
EVIDÊNCIA MOLECULAR DA TRANSMISSÃO TRANSPLACENTÁRIA DE EHRLICHIA CANIS EM CADELAS NATURALMENTE INFECTADA
Cláudio Amichetti Júnior¹,² Gabriel Amichetti³
¹ Médico-veterinário Integrativo – CRMV-SP 75.404 VT; MAPA 00129461/2025, CREA 060149829-SP Engenheiro Agrônomo Sustentável, Especialista em Nutrição Felina e Canina, Medicina Canabinóide e Alimentação Natural, Petclube. Com mais de 40 anos de experiência prática dedicados aos felinos e cães tipo bull, com foco em transição dietética e desenvolvimento de protocolos de bem-estar. ² Afiliação Institucional Petclube, São Paulo, Brasil ³ Médico-veterinário CRMV-SP 45.592 VT, Especialização em Ortopedia e Cirurgia de Pequenos Animais – Clínica 3RD Vila Zelina SP
Autor Correspondente: Cláudio Amichetti Júnior, [dr.claudio.amichetti@gmail.com]
Conflito de Interesses: Os autores declaram não haver conflito de interesses.
Petclube – Ciência, Genética e Bem-Estar Animal
trabalho p/ obtenção do título de Mestre em Medicina Veterinária.
A erliquiose monocítica canina é uma enfermidade infecciosa sistêmica causada por Ehrlichia canis, bactéria intracelular obrigatória transmitida principalmente pelo carrapato Rhipicephalus sanguineus sensu lato. Embora a transmissão vetorial seja amplamente reconhecida como principal via epidemiológica, evidências recentes indicam a possibilidade de transmissão transplacentária. O presente estudo tem como objetivo analisar as evidências moleculares atuais acerca da transmissão vertical de E. canis em cadelas naturalmente infectadas, bem como discutir suas implicações clínicas e epidemiológicas. Estudos que utilizaram técnicas de PCR e sequenciamento do gene 16S rRNA demonstraram a presença do DNA bacteriano em tecido placentário, sangue fetal e neonatos nas primeiras horas de vida. Esses achados confirmam a capacidade do agente de atravessar a barreira placentária durante episódios de bacteremia materna. Conclui-se que a transmissão vertical, embora secundária à via vetorial, pode contribuir para a manutenção da infecção em áreas endêmicas, sendo relevante para protocolos reprodutivos e estratégias de controle sanitário.
Palavras-chave: erliquiose canina; transmissão vertical; hemoparasitose; PCR; medicina veterinária.
Canine monocytic ehrlichiosis is a systemic infectious disease caused by Ehrlichia canis, an obligate intracellular bacterium primarily transmitted by the tick Rhipicephalus sanguineus sensu lato. Although vector-borne transmission is the main epidemiological route, recent evidence suggests the occurrence of transplacental transmission. This study aims to analyze current molecular evidence regarding vertical transmission of E. canis in naturally infected bitches and to discuss its clinical and epidemiological implications. Studies using PCR assays and sequencing of the 16S rRNA gene have demonstrated the presence of bacterial DNA in placental tissue, fetal blood, and neonates within the first hours of life. These findings confirm the ability of the pathogen to cross the placental barrier during maternal bacteremia. It is concluded that although secondary to vector transmission, vertical transmission may contribute to infection maintenance in endemic areas and should be considered in reproductive and sanitary control protocols.
Keywords: canine ehrlichiosis; vertical transmission; hemoparasitosis; PCR; veterinary medicine.
A erliquiose monocítica canina (EMC) é uma doença infecciosa de ampla distribuição geográfica, especialmente prevalente em regiões tropicais e subtropicais (HARRUS; WANER, 2011). O agente etiológico, Ehrlichia canis, apresenta tropismo por monócitos e macrófagos, desencadeando alterações hematológicas importantes, como trombocitopenia e anemia não regenerativa.
A transmissão ocorre predominantemente pela picada do carrapato Rhipicephalus sanguineus s.l. (NEER et al., 2002). Entretanto, estudos experimentais e evidências moleculares recentes sugerem a possibilidade de transmissão vertical.
Considerando a importância epidemiológica da EMC, torna-se relevante investigar a participação da transmissão transplacentária na manutenção da infecção em populações caninas.
Após inoculação pelo vetor, E. canis invade monócitos circulantes, formando mórulas citoplasmáticas. A doença evolui em fases aguda, subclínica e crônica, sendo a fase aguda caracterizada por intensa bacteremia (HARRUS; WANER, 2011).
A bacteremia elevada constitui fator determinante para possível disseminação sistêmica, incluindo tecidos reprodutivos.
A placenta canina é classificada como endoteliocorial zonária, possuindo múltiplas camadas celulares entre circulação materna e fetal. Apesar dessa barreira, agentes intracelulares podem atravessá-la, especialmente durante processos inflamatórios ou elevada carga infecciosa.
Estudos recentes demonstraram a detecção molecular de E. canis em tecido placentário e amostras fetais de cadelas naturalmente infectadas (PEREIRA et al., 2025).
Pereira et al. (2025) conduziram estudo envolvendo cadelas gestantes naturalmente infectadas no Brasil, utilizando nested PCR direcionada ao gene 16S rRNA, seguida de sequenciamento genético.
Os resultados demonstraram:
Presença de DNA bacteriano em tecido placentário;
Detecção molecular em sangue de neonatos nas primeiras 48 horas de vida;
Alta similaridade genética entre amostras maternas e fetais.
Esses achados constituem evidência molecular robusta da transmissão transplacentária natural.
A confirmação molecular da transmissão vertical amplia a compreensão epidemiológica da EMC. Embora a via vetorial permaneça predominante, a transmissão transplacentária pode:
a) Contribuir para manutenção da infecção em ambientes com baixa infestação por carrapatos;
b) Explicar casos de infecção precoce em neonatos;
c) Interferir em programas de controle sanitário.
Além disso, a infecção materna pode estar associada a alterações reprodutivas, incluindo abortamento e natimortalidade.
A transmissão transplacentária de Ehrlichia canis é biologicamente plausível e molecularmente comprovada. Embora represente via secundária, possui relevância epidemiológica significativa. Recomenda-se a inclusão de triagem molecular em matrizes reprodutoras de áreas endêmicas, visando reduzir a disseminação vertical do agente.
HARRUS, S.; WANER, T. Diagnosis of canine monocytotropic ehrlichiosis (Ehrlichia canis): an overview. Veterinary Journal, London, v. 187, n. 3, p. 292–296, 2011.
NEER, T. M. et al. Consensus statement on ehrlichial disease of small animals. Journal of Veterinary Internal Medicine, Philadelphia, v. 16, n. 3, p. 309–315, 2002.
PEREIRA, M. R. et al. First molecular evidence of vertical transmission of Ehrlichia canis in naturally infected female dogs in Brazil. Veterinary Microbiology, Amsterdam, v. 309, p. 110674, 2025.